Outros ex-governadores do Rio também estão na linha de tiro da PF

Um eventual efeito dominó negativo poderia se configurar se Moreira Franco for preso
Recentemente, Moreira Franco foi envolvido no escândalo por uso indevido de dinheiro público na compra de passagens aéreas
Recentemente, Moreira Franco foi envolvido no escândalo por uso indevido de dinheiro público na compra de passagens aéreas
Por Marcelo RibeiroPublicado em 17/11/2016 13:44 | Última atualização em 17/11/2016 18:03Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Brasília – As prisões dos ex-governadores do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ) atribuem novas preocupações ao estado que já sofre com uma grave crise financeira. Mas o cenário pode se agravar caso outro ex-governador seja preso. E já há nomes na lista.

O ex-governador fluminense Moreira Franco (PMDB-RJ), atual secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), é uma das apostas.

Considerado um dos principais nomes do governo do presidente Michel Temer (PMDB), ele é alvo de mais de um processo de investigação. Recentemente, o nome dele foi envolvido no escândalo por uso indevido de dinheiro público na compra de passagens aéreas.

A Procuradoria da República apresentou uma denúncia contra ex-parlamentares acusados de utilizar indevidamente cota de passagens aéreas da Câmara dos Deputados. Outros 442 ex-deputados também foram citados.

Além disso, Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht e um dos executivos da construtora que negociam acordos de colaboração com a força-tarefa da Lava-Jato, teria afirmado em depoimento que Moreira Franco lhe pediu, em 2014, uma contribuição financeira de R$ 3 milhões.

De acordo com Melo Filho, “era propina pura e simples” solicitada por um ministro que lidava com interesses bilionários da Odebrecht no setor de aeroportos. Na época, Moreira Franco era ministro da Secretaria de Aviação Civil do governo Dilma Rousseff (PT)

Outra questão que coloca o homem de confiança de Temer na berlinda é a investigação do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro sobre um erro no sistema de informática da Caixa que pode ter resultado em um prejuízo de R$ 1 bilhão ao banco público. A falha é vinculada à vice-presidência de Loterias e Fundos de Governo, à época ocupada por Moreira Franco.

Rosinha na mira

A ex-governadora do Rio  Rosinha Garotinho (PR-RJ), atual prefeita de Campos dos Goytacazes e mulher de Anthony Garotinho, também está na mira de investigação judicial eleitoral para apurar uma suspeita de abuso de poder político e econômico em sua gestão.

Segundo o Ministério Público Estadual, a prefeita e outros gestores são investigados por um suposto esquema para obtenção de votos em favor de candidatos por eles apoiados.

EXAME.com questionou Rosinha sobre essas acusações por meio de sua assessoria de imprensa. Vamos atualizar esta reportagem assim que recebermos uma resposta.

Outro lado

A EXAME.com, a assessoria de imprensa de Moreira Franco afirmou que não foi recebida pela Justiça a denúncia sobre uso indevido da cota de passagens aéreas no exercício do mandato.

"Moreira Franco, que é acusado indevidamente de ter adquirido cinco bilhetes aéreos, no valor total de R$ 1.481 no ano de 2007, sequer chegou a usar a cota aérea por completo, tendo sobrado recursos para este fim no orçamento de seu gabinete parlamentar", disse a assessoria, por meio de nota.

A assessoria destacou que o projeto do Aeroporto de Caieiras, em São Paulo, foi inviabilizado pelo decreto 7.871 assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em dezembro de 2012. "Moreira Franco tornou-se ministro da Aviação Civil em março de 2013. Logo, não há sentido em acusá-lo de ter atuado para derrubar o projeto, muito menos em ter recebido “contribuição financeira” para fazer isso".

Em nota, a equipe de comunicação de Moreira afirmou que "a própria Caixa Econômica Federal nega que haja o alegado prejuízo de R$ 1 bilhão. O erro no sistema de informática foi usado por uma corretora para negociar títulos com o mercado. O caso foi denunciado pela Caixa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal".