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Nova Raposo Tavares: Governo Tarcísio prevê 8,3 mil empregos com concessão

Com prazo de 30 anos, a concessão prevê investimentos de R$ 7,12 bilhões; moradores pedem mais audiências públicas

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 8 de julho de 2024 às 08h11.

Última atualização em 8 de julho de 2024 às 15h21.

O governo Tarcísio de Freitas estima que o projeto de concessão da Nova Raposo vai gerar 8,3 mil empregos diretos e indiretos na região. A proposta prevê a requalificação de trechos da rodovia Raposo Tavares, com obras de duplicação de vias, implantação de faixas adicionais e de pontos de ônibus.

Leia mais: O que muda com a Nova Raposo Tavares — e por que parte dos moradores é contra o projeto

O projeto faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP). Ao todo, o governo tem 24 projetos qualificados e uma carteira de mais de R$ 270 bilhões. Além da Nova Raposo, o governo também vai conceder o trecho da Rota Sorocabana.

Com prazo de 30 anos, a concessão prevê investimentos de R$ 7,12 bilhões.

O projeto inclui três rodovias: SP-280, SP-270, SP-029 e inclui o trecho municipal entre os municípios de Cotia e Embu das Artes, paralelo ao Rodoanel Oeste. A previsão é que as obras sejam concluídas em 2033.

A proposta é fazer a concessão de trechos rurais operados atualmente pela ViaOeste, da CCR Rodovias, e incluir estradas sob gestão do DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo).

Tanto a Nova Raposo Tavares quanto a Rota Sorocabana terão, no projeto de concessão, cobranças automáticas por pedágio free flow, que calcula a tarifa de acordo com o trecho percorrido pelo motorista.

A gestão estadual afirma que o projeto Nova Raposo vai beneficiar até dez municípios. Na última semana, o governo aprovou a modelagem final e a publicação do edital da concessão.

Com edital sendo lançado durante o terceiro trimestre de 2024, o leilão e a assinatura do contrato devem ser feitos até o fim do ano.

Antes da aprovação da modelagem final e da autorização para publicar o edital, entre março e abril deste ano, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) realizou as consultas e audiências públicas para receber sugestões e contribuições da população a respeito dos projetos.

Ao todo, foram 2.315 manifestações recebidas — 436 para Rota Sorocabana e 1.879 para o Lote Nova Raposo.

Críticas de moradores

Moradores e associações de moradores criticam o projeto e pedem a reabertura das audiências públicas para mais discussões.

Os questionamentos giram em torno da cobrança tarifária dos pedágios, que vão aumentar o custo de vida da região, dos trechos que adentram áreas residenciais, e do impacto ambiental nas áreas preservadas de mata atlântica.

Os primeiros três quilômetros da rodovia são bairros exclusivamente residenciais, conforme Plano Diretor e Lei de Zoneamento de São Paulo, alegam.

Por que a Raposo Tavares importa?

A estrada está entre as mais importantes do estado, em especial pelo gargalo de trânsito que faz nos horários de pico. São mais de 118 mil veículos que transitam na rodovia todos os dias, única alternativa para o tráfego entre Cotia e a capital paulista.

Além do trânsito, o trecho também está longe de ser seguro: a Raposo Tavares ficou em terceiro lugar no ranking de acidentes com mortes em 2023, segundo informações do Infosiga, do governo estadual. A média foi de 96 acidentes fatais no ano, atrás da Dutra (112) e da Anhanguera (140) — ambas com maior tráfego de veículos.

Com informações de Luiza Vilela

Acompanhe tudo sobre:Exploração de rodovias

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