Mais problemas para o PT: STF julga ação penal contra Gleisi Hoffmann

Ação penal contra a presidente nacional do PT e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo ocorre nesta terça-feira
 (Agência Senado/Reprodução)
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EXAME Hoje

Publicado em 19/06/2018 às 06:24.

Última atualização em 19/06/2018 às 07:05.

Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso desde o dia 7 de abril, o PT enfrenta mais um dia decisivo para uma de suas principais lideranças nesta  terça-feira. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgará uma ação penal da Operação Lava-Jato contra a presidente nacional do partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo.

Os dois são acusados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a partir das delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. De acordo com os delatores, Paulo Bernardo pediu 1 milhão de reais ao diretor da Petrobras para a campanha de Hoffman ao Senado em 2010. Os recursos teriam sido repassados em quatro parcelas de 250.000 reais com a ajuda de Ernesto Kugler, um empresário ligado ao casal e também alvo do julgamento desta terça, usando empresas de fachada no nome de Youssef.

Em setembro de 2016, a Segunda Turma da Corte recebeu, por unanimidade, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gleisi, Paulo Bernardo e Kugler. Segundo a denúncia, os três agiram de maneira voluntária, livre e consciente. A ação só foi liberada para julgamento pelo ministro Celso de Mello, revisor dos processos da Lava-Jato, há duas semanas.

Caso seja condenada, Gleisi poderia ficar de fora da eleição deste ano pela lei da Ficha Limpa —a mesma que pode vir a barrar a candidatura de Lula. Porta-voz principal do petista e com a imagem desgastada no Paraná, berço da Lava-Jato, Hoffmann já havia desistido de tentar a reeleição para o Senado. O plano da petista é buscar uma vaga na Câmara dos Deputados, mas ela também é cotada como uma possível vice na chapa do PT à Presidência da República, caso o partido não consiga fechar nenhuma aliança com outra sigla.

Em nota, Hoffman afirmou ter recebido “com serenidade” a notícia sobre o julgamento e que foi “injustamente denunciada, sem qualquer prova ou indício de crime”. “Trata-se de acusação forjada nos subterrâneos da Lava Jato, onde criminosos condenados negociam benefícios penais e financeiros em troca de delações mentirosas, que servem à perseguição política contra o PT e os nossos dirigentes”, afirmou.

Será o segundo julgamento de uma ação penal da Lava-Jato pela Segunda Turma, composta pelos ministros Celso de Mello, Edson Fachin (relator da Lava-Jato), Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. No final de maio, o colegiado condenou por unanimidade o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) a 13 anos, nove meses e dez dias de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro cometidos em esquema de desvios na Petrobras. Meurer foi o primeiro parlamentar condenado pela Corte nos processos da Lava-Jato. Gleisi pode se tornar a segunda.