Exame/IDEIA: aprovação de Bolsonaro segue em 38%, mais que no pré-pandemia

A aprovação do presidente subiu nos últimos meses em meio ao aumento do apoio nas classes baixas. Na outra ponta, há ainda uma parcela alta de reprovação

A aprovação do presidente Jair Bolsonaro segue em alta e se beneficiando de aprovação nas classes mais baixas, hoje em níveis similares à das classes altas que ajudaram em sua eleição em 2018.

É o que mostram novos resultados de uma pesquisa exclusiva da plataforma Exame/IDEIA, projeto que será lançado nos próximos dias que une Exame Research, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública.

A aprovação do presidente está em 38%, segundo a pesquisa. A avaliação segue praticamente inalterada em relação à pesquisa anterior, publicada há duas semanas, quando a aprovação do presidente batia 37%.

O levantamento foi realizado com 1.235 pessoas, por telefone, em todas as regiões do país, entre os dias 24 e 31 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

“As pesquisas confirmam a tendência positiva de avaliação e aprovação de governo. O efeito da ajuda emergencial tem se mostrado mais resiliente que esperado", diz Maurício Moura, fundador do IDEIA.

Outra pesquisa da EXAME/IDEIA divulgada hoje mostra ainda que, para 65% dos brasileiros, Bolsonaro é o principal responsável pelo auxílio emergencial. O auxílio foi prorrogado ontem pelo governo até dezembro, mas com redução do valor pela metade, indo a 300 reais.

 (Arte/Exame)

O aumento da aprovação em regiões outrora de forte oposição ao presidente, como entre os eleitores na região Nordeste e de menor renda, é parte do motivo para a aprovação alta. Com essas mudanças, a aprovação de Bolsonaro ficou parecida entre todas as faixas de renda (tendo caído entre os eleitores de maior renda e aumentado entre os mais pobres).

Ainda assim, a região Nordeste segue concentrando menor aprovação ao presidente do que nos outros lugares. No Nordeste, a aprovação é de 33% e no Sudeste, de 37%. No Norte, Sul e Centro-Oeste, a aprovação é de 41%.

O Nordeste também concentra a maior fatia que desaprova Bolsonaro: 47%, ante 44% no Sudeste. Nas outras três regiões, 41% dos entrevistados desaprovam as ações de Bolsonaro.

Polarização ainda alta

O impacto do auxílio emergencial pode vir não só na aprovação, mas também no grupo que nem aprova, nem desaprova o governo. Esse grupo neutro é maior sobretudo entre as classes mais baixas, enquanto as classes mais altas demonstram apoio ou rejeição mais claros.

No grupo de menor renda, entre quem ganha até 1 salário mínimo, 20% está neutro, isto é, não aprova ou desaprova a atuação do presidente (enquanto 36% aprova e 43% desaprova).

Já entre quem ganha mais de 5 salários mínimos, só 8% não diz que aprova nem desaprova o presidente (enquanto 45% aprova e 47% desaprova).

Assim, Moura aponta que os resultados, embora favoráveis ao presidente, continuam refletindo o descontentamento de uma parcela do eleitorado. O grupo que considera o governo ruim ou péssimo cresceu nos meses de pandemia e está maior do que no começo do ano (veja no gráfico abaixo).

"Vale também mencionar que, mesmo assim [com aprovação alta], a aprovação do presidente ainda reflete o profundo sentimento de polarização da opinião pública brasileira", diz. "Os números de ruim e péssimo da avaliação presidencial são mais amenos, mas ainda corroboram um contigente de descontentamento elevado, ainda mais quando comparados a outros líderes mundiais no pós pandemia."

 (Arte/Exame)

A aprovação do presidente não muda bruscamente entre quem recebeu ou não o auxílio emergencial: nos dois grupos, 37% aprova o presidente.

Mas, na outra ponta, a reprovação de Bolsonaro diminui alguns pontos entre quem recebeu o benefício: 40% dos que receberam o auxílio desaprovam o governo, ante 46% de quem não recebeu. Entre quem recebeu o auxílio, há também mais pessoas neutras (21%, contra 15% de quem não recebeu o auxílio).

Base fiel

Embora o aumento do apoio entre as classes mais baixas seja crucial para a avaliação mais positiva do governo, o grupo que ganha mais de 5 salários mínimos ainda concentra, percentualmente, a maior fatia de apoiadores do presidente. Nesse grupo, 45% aprova Bolsonaro, ante 38% ou menos nas faixas de renda menores do que 5 salários mínimos.

Outros grupos que apoiaram o presidente na eleição de 2018 continuam sendo fortes entre sua base eleitoral. Os homens têm maior taxa de aprovação em relação ao governo (57% dos homens aprova o governo, ante 43% das mulheres).

A boa avaliação de Bolsonaro também é maior entre os mais velhos. Entre quem tem 50 anos ou mais, quase metade (46%) aprova o presidente. Entre quem tem de 16 a 29 anos, a taxa de aprovação cai para 22%.

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