Brasil

Bolsonaro e Michelle vão ficar em silêncio em depoimento à PF, diz defesa

Em ofício, os advogados afirmaram que eles só "prestarão depoimento" ou "fornecerão declarações adicionais" quando o caso sair do Supremo Tribunal Federal (STF) e for remetido à primeira instância

Bolsonaro e Michelle: casal iria depor o caso das joias (EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Bolsonaro e Michelle: casal iria depor o caso das joias (EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Publicado em 31 de agosto de 2023 às 12h10.

Última atualização em 31 de agosto de 2023 às 12h11.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro informou que o casal ficará em silêncio diante da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 31. Em ofício, os advogados afirmaram que eles só "prestarão depoimento" ou "fornecerão declarações adicionais" quando o caso sair do Supremo Tribunal Federal (STF) e for remetido à primeira instância.

"Os peticionários, no pleno exercício de seus direitos e respeitando as garantias constitucionais que lhes são asseguradas optam por adotar a prerrogativa do silêncio no tocante aos fatos ora apurados", diz a nota assinada pelos advogados Paulo Amador Bueno, Daniel Tesser e Fabio Wajngarten enviada ao jornal O Globo.

A defesa argumenta que eles só falarão quando estiverem "diante de um juiz natural competente". O suposto caso do desvio das joias do acervo público é conduzido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

No texto, os advogados afirmam que Moraes não tem prerrogativa para tocar o processo, que, segundo eles, deveria ser transferido à 6ª Vara Federal de Guarulhos, em São Paulo. Os defensores citam como justificativa uma manifestação da Procuradoria-Geral da República que requereu o "declínio de competência" do caso.

Bolsonaro e Michelle chegaram por volta das 10h49 à sede da PF, em Brasília. Outras cinco pessoas também estão sendo interrogadas no inquérito, incluindo o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que esteve na PF por mais de 16 horas na sexta e na segunda-feira passadas. Cid é o único do grupo que está preso. Ele chegou à PF mais cedo, por volta das 9h15.

A PF tinha como objetivo ouvir os depoentes simultaneamente para evitar que eles combinassem versões sobre o caso investigado. Além de Bolsonaro e Michelle, foram intimados:

  • Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Mauro César Lourena Cid, pai de Mauro Cid, general da reserva do Exército;
  • Fábio Wajngarten, advogado de Bolsonaro e ex-chefe da Secretária de Comunicação da Presidência;
  • Fraderick Wassef, advogado de Bolsonaro;
  • Marcelo Câmara, assessor especial do ex-presidente;
  • Osmar Crivellati, assessor de Bolsonaro.

Entenda a investigação da PF sobre o caso das joias

No inicio do mês, a PF deflagrou a operação Lucas 12:2, com objetivo de investigar a atuação de uma suposta associação criminosa para a prática dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A hipótese da PF é que militares ligados ao ex-presidente Boslonaro venderam ilegalmente presentes dados ao governo brasileiro por países estrangeiros, como a Arábia Saudita. O valor da venda teria sido entregue em espécie ao Bolsonaro pelo Mauro Cid após venda das joias nos Estados Unidos. 

"Os investigados são suspeitos de utilizar a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Estado brasileiro, por meio da venda desses itens no exterior", disse a nota da PF. A operação foi batizada em alusão ao ao versículo 12:2 da Bíblia, que diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido “.

As ações ocorrem dentro do inquérito policial que apura a atuação do que se convencionou chamar “milícias digitais” em tramitação perante o Supremo Tribunal Federal (STF), relato pelo ministro Alexandre de Moraes. Todos os convocados para depor nesta quinta são citados no relatório parcial da investigação enviado ao STF e usado para justificar as buscas na Operação. No dia 18, Moraes autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Bolsonaro e da ex-primeira-dama. A investigação já fez buscas contra aliados de primeira hora do ex-presidente, como o general Mauro César Lourena Cid - pai de Mauro Cid -, o criminalista Frederick Wassef, advogado do ex-presidente, e o tenente Osmar Crivelatti, ex-ajudante de ordens do de Bolsonaro.

Com Agência o Globo.

Acompanhe tudo sobre:Jair BolsonaroMichelle BolsonaroPolícia Federal

Mais de Brasil

Câmara aprova a Lei Taylor Swift, que criminaliza cambismo digital

CCJ do Senado aprova projeto que prorroga por 10 anos as cotas para negros em concurso

Pacheco adia sessão sobre vetos, governo evita derrotas, e Lira demonstra insatisfação

Rio registra queda de 25% das mortes violentas no primeiro trimestre

Mais na Exame