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Negros foram 76,5% das vítimas de homicídio no Brasil em 2022, aponta 'Atlas da Violência'

Proporcionalmente às respectivas populações, em média, para cada pessoa não negra — isto é: brancas, indígenas e amarelas — assassinadas, 2,8 negros são mortos

'Atlas da Violência': São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal concentram as menores taxas de assassinatos de pessoas negras (Paulo Pinto/Fotos Públicas)

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Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 18 de junho de 2024 às 11h01.

Última atualização em 18 de junho de 2024 às 11h48.

Com 35.531 vítimas, a taxa de homicídio de pessoas pretas e pardas em 2022 correspondeu a 76,5% do total de assassinatos registrados no país. Isso significa dizer que, proporcionalmente às respectivas populações, em média, para cada pessoa branca, indígena ou amarela morta, 2,8 negros são vitimados. Os dados são do Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira, 18, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em 2022, foram registrados 10.209 casos de homicídios de pessoas não negras. Enquanto o índice de assassinatos de brancos, amarelos e indígenas é de 10,8 pontos percentuais para cada 100 mil habitantes, a taxa para pretos e pardos é de 29,7 na mesma proporção.

Em uma década, entre 2012 e 2022, houve redução expressiva na taxa de homicídios de negros entre 2017 e 2019, passando de 43,1 para 29,0. Após 2020, no entanto, as taxas aumentaram em relação a 2019, mas seguiram uma relativa estabilidade nos anos posteriores. Diferentemente das vítimas pretas e pardas, a população não negra apresenta invariabilidade na primeira metade da década, seguida de um movimento de redução também a partir de 2017.

Norte e Nordeste lideram homicídios

Segundo o relatório, a maioria dos casos de homicídio de pessoas negras está concentrada nas regiões Norte e Nordeste. A maior taxa foi registrada na Bahia (51,6), seguida do Rio Grande do Norte (45,3), Alagoas (45,1) e Pernambuco (45,1). Já no Norte, o Amapá (48,8), Amazonas (47,5), Pará (36,9) e Rondônia (36,8) lideram.

Com relação às taxas inferiores à nacional, São Paulo (8,3), Santa Catarina (9,9) e Distrito Federal (14,2) concentram as menores taxas de assassinatos de pessoas negras.

O estado do Alagoas apresenta o maior risco relativo de uma pessoa negra ser vítima de violência letal. Comparado a uma não negra, o risco de vitimização letal para uma pessoa preta ou parda é 23,7 vezes maior do que para uma pessoa não negra na unidade federativa.

Os estados que seguem em maior risco relativo são: Amapá (9,8), Sergipe (6,0) e Rio Grande do Norte (5,0). "No âmbito nacional o risco é de 2,8, ou seja, em todo o país, a despeito dos contextos socioculturais de cada estado e região, o cenário de desigualdade racial quando se trata de violência letal, infelizmente, é uma realidade comum", conclui o estudo.

Mais de 46 mil homicídios registrados no país

O Atlas da Violência aponta para uma estabilidade no número de homicídios registrados no país em 2022, que se mantém desde 2019. Ao todo, houve registro oficial de 46,4 mil assassinatos no Brasil durante o ano em questão, de acordo com a pesquisa. Quando considerados os homicídios estimados — que somam também registros de mortes violentas por causa indeterminada, chamados de "ocultos" —, o número chega a 52,3 mil. Nesse cenário, é como se 143 pessoas tivessem sido assassinadas por dia em solo brasileiro.

Os 46,4 mil assassinatos registrados oficialmente em 2022 representam uma diminuição sutil de 3% em relação ao ano anterior e de 18,6% na comparação com 2012, quando a pesquisa começou a ser feita. A taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes no país, agora de 21,7, é 3,6% menor que em 2021 e 24,9% menor do que no início da série histórica.

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