A decisão de 2022 nas mãos das mulheres

A última pesquisa EXAME/IDEIA mostrou que mulheres se descolaram dos homens em suas posições políticas e são um eleitorado mais resistente a Jair Bolsonaro

Por Cila Schulman

As jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol bateram um bolão em Cartagena, na última sexta-feira, ao levantarem uma faixa contra o assédio sexual, pouco antes do amistoso contra a Rússia. O protesto não citou o nome mas teve como alvo o presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual contra uma mulher. O gesto não é de pouca ousadia se lembrarmos que até 1981 a prática de futebol ficou proibida no Brasil por ir “contra a natureza feminina” e que as mulheres só obtiveram o direito ao voto no país há menos de 100 anos (1932).

Na última pesquisa EXAME/IDEIA, publicada sexta-feira, dia 11, chamou a atenção o quanto as mulheres se descolaram dos homens em suas posições políticas. E o quanto são, desde a campanha de 2018, um eleitorado mais resistente ao presidente Jair Bolsonaro e mais difícil de conquistar.

O primeiro eleitor padrão de Bolsonaro encontrado em pesquisas era homem, de classe média, escolarizado, da região sudeste. Esses mesmos homens escolarizados continuam a ser um dos pilares de sustenção da reeleição do presidente, ao lado de outros dois eleitorados sólidos dele: os evangélicos e a turma do agronegócio, notadamente da região centro-oeste.

O índice de popularidade de Bolsonaro – fator chave para definir a reeleição – tem uma variação significativa quando recortado por gênero. Enquanto 32,5% dos homens consideram o atual governo como ótimo e bom, apenas 21% da mulheres têm a mesma opinião. Se este dado for colocado mais na lupa, o ótimo entre os homens vai a 16,5%, enquanto que entre as mulheres cai para 9,5%. Os que avaliam o governo como ruim e péssimo estão cristalizados na faixa de 49% mas entre elas sobe para 54%, já entre eles cai para 43%.

A aprovação do governo de Bolsonaro, dado fundamental para avaliar a reeleição, já que fundamentalmente quando há um incumbente na disputa o eleitor vota pela continuidade ou não deste, também traz disparidades entre elas e eles. A aprovação nesta última pesquisa ficou em 25%, sendo que entre os homens subiu a 30,5%, já entre as mulheres desceu para pouco menos de 20%.

No centro-oeste, uma das fortalezas de apoio ao atual mandatário, como citado acima, a aprovação está em 28,5% (somado ao regular chega o apoio chega a 62%). Outra região que pesa a favor do presidente na pesquisa é a norte, com aprovação de 37,5%, mas esse dado pode ser transitório por ser resultado mais direto do auxílio emergencial em vigência. Na mesma faixa, 37% dos evangélicos aprovam a gestão atual.

Além dessa diferença histórica, os últimos acontecimentos da agenda nacional também dividiram o eleitorado feminino do masculino. Por exemplo: uma parcela significativa de homens não apoia as recentes manifestações contra Bolsonaro (35,5%), enquanto a concordância delas pelos protestos chega a 55,5%. Da mesma forma, apenas 7,5% delas participaria de uma manifestação a favor do governo, enquanto quase o dobro deles iria neste caso (14,5%).

Quando o ambiente político é ampliado para incluir a economia e o futebol, a divergência entre eles e elas não diminui. 85,5% das mulheres acredita que a realização da Copa América pode levar a uma piora da pandemia de covid-19, enquanto essa perspectiva é considerada por 63% dos homens. As mulheres também são mais desfavoráveis que os homens sobre a própria realização do campeonato no Brasil: apenas 15% delas concordam x 34% deles. A preocupação sobre um aumento na conta de luz devido a uma possível crise energética são outro ponto que tem mais peso entre elas (47%) do que entre eles (37,5%).

Tudo isso colocado, pode-se dizer que em um país polarizado entre dois projetos políticos tão distintos quanto são o de Lula e o de Bolsonaro, a vitória na eleição de 2022 pode ser definida pelo candidato que for capaz de conquistar o eleitorado feminino. A pergunta que fica é: quem marcará este gol?

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