EXAME Agro

O café de 100 gramas que custa R$ 10 mil — e vale R$ 1.400 por xícara

Microlote raro de Minas Gerais reforça avanço do café de luxo no Brasil e atrai compradores especializados

Produzido na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o lote da variedade geisha alcançou 92 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA), referência global de qualidade.

Produzido na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o lote da variedade geisha alcançou 92 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA), referência global de qualidade.

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 10 de maio de 2026 às 07h00.

A cafeicultura de alto padrão no Brasil atingiu um novo patamar nesta sexta-feira, 8. Um microlote de apenas 100 gramas de café arábica foi vendido por R$ 10 mil em um leilão realizado pelas redes sociais, indicando o avanço do segmento de cafés de luxo no país.

Produzido na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o lote da variedade geisha alcançou 92 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA), referência global de qualidade. O valor pago equivale a mais de R$ 1.400 por xícara, um dos maiores já registrados no Brasil.

A compra foi feita de forma conjunta pela exportadora Coffee Senses e pela corretora Tribo da Cafeína, que dividiram o lote. A negociação ocorreu ao longo de 24 horas e reflete o apetite crescente por cafés exclusivos.

Segundo a diretora comercial da Coffee Senses, Ana Flávia Fernandes, o interesse vai além do produto. “Valorizamos cafés que buscam a xícara perfeita e trabalhos como o do Luiz Paulo”, afirmou.

Café de luxo no Brasil

O responsável pelo microlote é o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, reconhecido internacionalmente e eleito a primeira “lenda” brasileira do café especial por entidades do setor.

A proposta do produtor é tratar o café como um produto de altíssimo valor agregado, semelhante ao vinho. O lote vendido passou por fermentação a frio por sete dias e seleção manual dos grãos, técnicas associadas à produção de cafés premium.

Segundo ele, o objetivo é ampliar a produção de microlotes e nanolotes dentro do chamado Projeto Rarus, voltado a consumidores que buscam exclusividade e qualidade extrema.

Com rendimento de cerca de sete xícaras, o lote reforça uma tendência de valorização do café especial brasileiro no mercado global.

O preço alcançado aproxima o café brasileiro de luxo dos valores praticados por vinhos de alta gama, indicando uma mudança de percepção sobre o produto.

“Esse é um patamar que mostra a sofisticação e o potencial do Brasil na produção de cafés especiais”, afirmou o produtor.

Acompanhe tudo sobre:Café

Mais de EXAME Agro

Trump no supermercado: por que o preço dos alimentos deve influenciar as midterms nos EUA

Produção de leite entra no radar do El Niño — do Brasil à Austrália

Do Sul ao Nordeste: como o El Niño 2026 pode mudar a produção agrícola no Brasil

Exportações de café do Brasil sobem 3,6% em maio, mas receita cai 16%