Fenômeno climático La Niña pode ter duração inédita nesse século, segundo a ONU

Se confirmado, seria a terceira vez desde 1950 que esse fenômeno é observado durante três invernos consecutivos
Seca: fenômeno climático La Niña pode ter duração inédita nesse século (Getty Images/Getty Images)
Seca: fenômeno climático La Niña pode ter duração inédita nesse século (Getty Images/Getty Images)
A
AFPPublicado em 02/09/2022 às 06:00.

O fenômeno climático La Niña, que afeta as temperaturas globais e agrava secas e inundações, pode durar até o final do ano e ter uma duração sem precedentes para este século, informou a ONU nesta quarta-feira, 31.

O prolongado fenômeno La Niña provavelmente se tornará o primeiro "evento triplo" deste século, abrangendo três invernos consecutivos no Hemisfério Norte (verões no Hemisfério Sul), aponta um boletim divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Acompanhe de perto as notícias do agronegócio com a EXAME. Assine por menos de R$ 0,37/dia.

"É excepcional que um episódio de La Niña continue por três anos consecutivos", comentou o secretário-geral da OMM, o finlandês Petteri Taalas.

Se confirmado, seria a terceira vez desde 1950 que esse fenômeno é observado durante três invernos consecutivos, de acordo com a OMM.

O boletim aponta que o atual fenômeno La Niña, que começou em setembro de 2020, continuará pelos próximos seis meses.

A probabilidade dessa previsão é de 70% para os meses de setembro a novembro e depois cai gradativamente para 55% para o período de dezembro a fevereiro de 2023, segundo a agência da ONU.

La Niña é um fenômeno que produz resfriamento em grande escala das águas superficiais nas partes central e leste do Pacífico equatorial.

O fenômeno tem grandes repercussões no clima (precipitação, ventos) em todo o mundo, ao contrário do fenômeno El Niño, que tem efeito de aquecimento nas temperaturas globais.

LEIA TAMBÉM: China compra mais soja dos EUA e Brasil após queda de preços

De acordo com a OMM, o fenômeno atual foi intensificado pelo fortalecimento dos ventos alísios entre meados de julho e meados de agosto de 2022, que alterou os padrões de temperatura e precipitação e agravou secas e inundações em diferentes partes do mundo.

"A exacerbação da seca na região do Chifre da África e no sul da América do Sul traz a marca registrada do La Niña, assim como as chuvas acima da média observadas no sudeste da Ásia e na Austrália", disse Taalas.

"Infelizmente, os dados mais recentes sobre La Niña confirmam as projeções climáticas regionais que apontavam para um agravamento da devastadora seca no Chifre da África, cujas consequências já afetam milhões de pessoas", acrescentou.

El Niño e La Niña são determinantes importantes do sistema climático da Terra, mas não são os únicos.

LEIA TAMBÉM:

Milho vira sensação no TikTok em momento crítico para safra

Compradores de açúcar correm para garantir embarques do Brasil