Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 420 mil toneladas de carne de frango para a China, segundo dados da ABPA. (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 12h45.
Última atualização em 20 de outubro de 2026 às 14h04.
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina levou México, China e Chile a impor restrições temporárias às importações de produtos avícolas brasileiros. As medidas foram anunciadas nesta terça-feira, 20, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Segundo a pasta, o México adotou a restrição mais abrangente, suspendendo as importações de determinados produtos avícolas provenientes de todo o Brasil. Já China e Chile limitaram as medidas aos produtos originários de Santa Catarina, estado onde a doença foi identificada.
No caso do país asiático, o principal destino da carne de frango brasileira, a restrição ficou limitada a Santa Catarina após negociações conduzidas pelo governo brasileiro. Segundo o Mapa, a medida evitou que as importações fossem suspensas em todo o território nacional.
A decisão representa uma mudança em relação à possibilidade de um embargo nacional, inicialmente apontada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), com base no protocolo sanitário entre os dois países.
Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 420 mil toneladas de carne de frango para a China, segundo dados da ABPA. O país asiático é um dos principais compradores da proteína brasileira, o que aumenta a relevância comercial das negociações para limitar as restrições sanitárias.
Segundo o Mapa, o México suspendeu as importações de produtos de todo o Brasil, incluindo aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias, aves de companhia e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização.
A China restringiu as importações de carne de aves produzida em Santa Catarina, enquanto o Chile suspendeu as compras de ovos férteis, ovos livres de patógenos específicos (SPF), pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos destinados ao consumo humano e produtos cárneos que contenham carne fresca de aves provenientes do estado.
O Mapa informou que mantém contato com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência da doença e as medidas de controle adotadas no Brasil.
As negociações buscam permitir a retomada das exportações conforme os requisitos sanitários de cada mercado. O ministério também acompanha a situação dos demais parceiros comerciais e informou que divulgará novas atualizações à medida que houver mudanças confirmadas.
O foco da doença foi confirmado pelo Mapa em 19 de outubro, em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A propriedade abriga aproximadamente 6 mil aves.
As amostras foram coletadas em 21 de setembro, durante ações de vigilância ativa da defesa agropecuária. Após resultados laboratoriais indicarem a possibilidade de infecção, as atividades da granja foram suspensas e novos exames foram realizados. A confirmação ocorreu em 18 de outubro.
De acordo com o ministério, as aves não apresentavam sinais clínicos, mas os testes identificaram material genético do vírus, resultado classificado como positivo segundo os critérios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Após a confirmação, o governo iniciou os procedimentos sanitários para eliminar o foco, incluindo o sacrifício das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção das instalações e a fiscalização de estabelecimentos próximos.
As medidas de vigilância abrangem Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, que deverá durar 42 dias, correspondentes a dois períodos de incubação da doença.
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves. Em seres humanos, os casos são raros e geralmente provocam sintomas leves, como conjuntivite e irritação nos olhos, sobretudo após contato direto com aves infectadas.
O governo federal ressalta que o consumo de carne de aves não representa risco de transmissão da doença às pessoas.
Segundo o secretário substituto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, pelas regras sanitárias atualmente aplicáveis, o Brasil poderá recuperar o status de livre da doença após 90 dias. O governo brasileiro solicitou à OMSA a redução desse prazo, mas a mudança ainda não foi implementada.