Carne de frango: de janeiro a setembro, o Brasil exportou 420 mil toneladas de frango para a Cina, somando R$ 1,156 bilhão, segundo a ABPA. (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 18h24.
Última atualização em 19 de outubro de 2026 às 18h47.
O Brasil deve suspender as exportações de carne de frango para a China após confirmar, nesta segunda-feira, 19, um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a medida está prevista no acordo sanitário bilateral, mas depende de formalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O Brasil deve suspender as exportações de carne de frango para a China após a confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a interrupção está prevista no acordo sanitário entre os dois países e deverá ocorrer após a formalização da medida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Procurada pela EXAME, a Secretaria de Relações Internacionais (SRI) do Mapa informou que, até o momento da consulta, não havia recebido nenhum comunicado sobre a suspensão das exportações.
A China é o principal destino da carne de frango brasileira. Entre janeiro e setembro, o país importou 420 mil toneladas da proteína, movimentando R$ 1,156 bilhão, segundo a ABPA. No ano passado, o volume foi de 250,2 mil toneladas, totalizando R$ 605 milhões.
Nesta segunda-feira, 19, o Mapa confirmou um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A propriedade abriga aproximadamente 6 mil aves.
Segundo o ministério, o foco foi identificado durante ações de vigilância ativa da defesa agropecuária. As amostras foram coletadas em 21 de setembro e, na semana passada, os primeiros resultados laboratoriais indicaram a possibilidade de infecção.
Diante da suspeita, as atividades da propriedade foram suspensas e novos testes foram realizados. A confirmação ocorreu em 18 de outubro.
De acordo com o Mapa, nenhuma das aves apresentou sinais clínicos da doença, mas os exames identificaram material genético do vírus.
O secretário substituto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, explicou que o resultado foi classificado como positivo conforme os critérios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que consideram o hospedeiro e a detecção do material genético do agente.
“É importante destacar que o consumo dessa carne não traz riscos para as pessoas”, afirmou André de Paula durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, em Brasília.
Por causa do anúncio da doença, as ações da MBRF, principal exportadora de frango do país, caíram 4,37% na Bolsa Brasileira (B3), a maior queda do pregão desta segunda-feira.
Após a confirmação, o Mapa iniciou os procedimentos sanitários para eliminar o foco da doença, incluindo o sacrifício das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção das instalações e a fiscalização de estabelecimentos próximos.
As ações de vigilância abrangem quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.
O governo federal também prevê publicar uma portaria declarando emergência sanitária nos quatro municípios.
As autoridades acompanharão a região durante dois períodos de incubação da doença, de 21 dias cada, totalizando 42 dias de monitoramento.
Segundo Alvarenga, pelas regras sanitárias atualmente aplicáveis, o Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias. O governo brasileiro já solicitou à OMSA a redução desse prazo, mas a mudança ainda não foi implementada.
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o vírus também pode infectar outras espécies, incluindo seres humanos.
A infecção em humanos é considerada rara e está associada principalmente à exposição direta ao vírus, especialmente entre pessoas que trabalham com aves infectadas.
A classificação sanitária da doença considera critérios de virulência do agente, incluindo o índice de patogenicidade intracerebral e a presença de múltiplos aminoácidos básicos em determinadas regiões da proteína viral.
A principal forma de transmissão entre aves ocorre por meio de aerossóis e secreções de animais infectados. O vírus também pode se espalhar pelo contato com materiais contaminados, como equipamentos, alimentos e outros objetos utilizados nas instalações de criação.
A possibilidade de infecção humana não significa que o consumo de carne de aves devidamente preparada represente risco de transmissão, como destacou o Mapa.
A suspensão deve ocorrer devido à confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. Segundo a ABPA, a medida está prevista no acordo sanitário entre Brasil e China, mas a Secretaria de Relações Internacionais do Mapa ainda não havia recebido comunicado sobre a interrupção no momento da consulta.
O Mapa confirmou o caso em uma granja comercial de perus com cerca de 6 mil aves em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A confirmação ocorreu em 18 de outubro, embora nenhuma ave tenha apresentado sinais clínicos da doença.
Sim, mas a infecção humana é rara e está associada principalmente à exposição direta ao vírus, especialmente entre pessoas que trabalham com aves infectadas, segundo a OMSA. De acordo com o Mapa, o consumo de carne de aves devidamente preparada não representa risco de transmissão.
Entre janeiro e setembro de 2026, a China importou 420 mil toneladas de carne de frango brasileira, segundo a ABPA. As vendas movimentaram R$ 1,156 bilhão, e o país asiático foi o principal destino do produto.
O Mapa iniciou o sacrifício das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção das instalações e a fiscalização de estabelecimentos próximos. Segundo o ministério, 133 granjas de Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias serão monitoradas durante 42 dias.
As ações da MBRF, principal exportadora de frango do Brasil, caíram 4,37% na B3 após o anúncio do caso da doença de Newcastle. Foi a maior queda registrada no pregão desta segunda-feira, 19.