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Do grão à exportação, Congresso discutirá desafios do agro em Florianópolis

O 4º Congresso Cerealista Brasileiro receberá empresários, parlamentares e especialistas de 11 a 13 de novembro para debater crédito, logística e o futuro do setor

 (Getty Images/Getty Images)

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Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 14h09.

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O futuro de uma das mais importantes cadeias produtivas da economia brasileira estará em discussão na próxima semana, em Florianópolis. Entre os dias 11 e 13 de novembro, o Costão do Santinho recebe o 4º Congresso Cerealista Brasileiro, promovido pela Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (ACEBRA).

O encontro colocará na mesma mesa empresários, executivos do mercado financeiro, parlamentares e especialistas para discutir os desafios de um setor que conecta a produção agrícola à indústria, ao abastecimento nacional e ao comércio exterior.

Sob o tema “Grãos, Mercados e Energia: o Brasil no Centro da Nova Economia Mundial”, o congresso terá três dias de programação dedicados a questões que vão do financiamento das safras à infraestrutura logística, passando pela reforma tributária, transição energética, inovação e novas oportunidades de negócios.

A importância do encontro está diretamente relacionada à dimensão da cadeia representada pela ACEBRA. Fundada em 2005, a entidade atua na defesa das empresas cerealistas, responsáveis por uma atividade que vai muito além da compra e venda de grãos.

São negócios que fornecem insumos e sementes, prestam assistência técnica, recebem, secam, classificam, armazenam e comercializam produtos como soja, milho, trigo, arroz e feijão, além de participar de discussões sobre outras culturas, como sorgo e leguminosas secas.

Com associações estaduais em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, a ACEBRA representa um segmento estratégico para o funcionamento do agronegócio, especialmente na conexão entre produtores rurais, indústrias, cooperativas, tradings e compradores internacionais.

Os números ajudam a explicar o peso dessa atividade. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a safra brasileira de grãos 2026/27 poderá alcançar 367,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,4% em relação ao ciclo anterior. Desse total, 181,6 milhões de toneladas serão de soja e 148 milhões de toneladas de milho, as duas principais culturas do país.

O avanço da produção, entretanto, traz desafios que não se resolvem apenas dentro das propriedades rurais. É preciso ampliar a capacidade de armazenagem, melhorar o escoamento das safras, garantir financiamento e aumentar a competitividade das empresas que operam entre o campo e os mercados consumidores.

Conforme revelou a EXAME recentemente, as concessões de crédito rural caíram 24% entre julho e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O volume recuou de R$ 168,9 bilhões para R$ 129,2 bilhões, segundo dados do Banco Central compilados pelo Ministério da Agricultura. A retração ocorre justamente quando o setor precisa ampliar investimentos para acompanhar o crescimento da produção.

A dimensão econômica também aparece no comércio exterior. Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, o equivalente a 48,5% de todas as vendas do país ao exterior. Somente a soja em grãos respondeu por US$ 43,5 bilhões desse resultado, com o embarque de 108,2 milhões de toneladas.

“O setor cerealista é o elo que conecta o trabalho do produtor à indústria e à exportação. Com as mudanças no crédito rural e as novas exigências fiscais e ambientais lá fora, as empresas precisam de previsibilidade e segurança jurídica para continuar investindo em armazenagem e escoamento”, afirma Jerônimo Goergen, presidente da ACEBRA.

É nesse cenário que o congresso pretende aproximar quem produz, financia, industrializa e estabelece as regras que influenciam o funcionamento do setor.

A programação começa na quarta-feira, 11 de novembro, com debates sobre o cenário político e econômico pós-eleições e os impactos da geopolítica sobre os mercados internacionais de alimentos e proteínas. Um dos destaques será a participação de Ricardo Faria, fundador da Granja Faria e controlador da Global Eggs, um dos empresários de destaque na produção de proteína animal.

No segundo dia, as discussões avançam sobre o endividamento rural, as alternativas de financiamento, o mercado de capitais, os investimentos em armazenagem e logística e os efeitos da reforma tributária. A programação também prevê debates sobre governança, sustentabilidade e competitividade.

Entre os participantes anunciados estão Rafael Furlanetti, da XP Investimentos, Erasmo Battistella, da Be8, e Paulo Herrmann, além de representantes de instituições financeiras como Banco do Brasil, Banrisul, Sicredi e BTG Pactual, entidades empresariais e integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

O encerramento, no dia 13, terá o Fórum Band - ACEBRA, dedicado à economia circular, aos biocombustíveis e às oportunidades de agregação de valor à produção agrícola. A expansão do biodiesel, o aproveitamento industrial dos grãos e o uso de novas tecnologias estarão entre os assuntos em discussão.

Liderança feminina

A escolha de Florianópolis para sediar o encontro também reforça a importância do agronegócio catarinense. Segundo a Epagri/Cepa, o Valor da Produção Agropecuária de Santa Catarina alcançou R$ 75,1 bilhões em 2025, resultado impulsionado pelas cadeias de grãos, proteínas animais e outros produtos agropecuários.

Embora tenha uma estrutura produtiva diferente dos grandes estados produtores de commodities agrícolas, Santa Catarina ocupa uma posição estratégica na transformação de grãos em alimentos e produtos de maior valor agregado. A força das agroindústrias de aves e suínos, por exemplo, está diretamente relacionada à disponibilidade de milho e soja para a fabricação de rações.

Essa conexão entre diferentes atividades econômicas também estará presente na programação do congresso, que abre espaço para o empreendedorismo e a participação feminina na liderança empresarial.

Na quinta-feira, 12 de novembro, às 16h20, o painel “Mulheres que Transformam: Empreendedorismo, Liderança e Novos Negócios” contará com a participação de Cintia Pereira, presidente e fundadora da CBA Corp, grupo que reúne a CBA Empreendimentos e a Viva Corp, a secretária municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis, Ivanna Carla Tomasi, e a recém eleita senadora Carol De Toni.

Com atuação no mercado imobiliário, Cintia levará ao encontro sua experiência na criação e expansão de negócios, estabelecendo uma conexão entre atividades que compartilham desafios relacionados ao planejamento, aos investimentos e ao desenvolvimento econômico.

“Quem constrói cidades e quem produz alimentos compartilha a mesma responsabilidade: pensar no futuro. O Congresso Cerealista mostra que o desenvolvimento não acontece em setores isolados, mas na conexão entre pessoas, negócios e ideias. E as mulheres precisam ocupar cada vez mais espaço nessas decisões”, destaca a empresária.

 O congresso também contará com um espaço  da Casa CBA EXAME SUL, instalado no Costão do Santinho e dedicado à cobertura editorial do evento, com entrevistas e conteúdos especiais envolvendo empresários, autoridades e lideranças do agronegócio.

Além dos debates, o congresso terá uma feira de negócios e atividades de relacionamento entre empresas, instituições financeiras e representantes do poder público. A quarta edição marca ainda os 21 anos de fundação da ACEBRA, com a previsão de integração de novas associações estaduais à entidade.

Ao reunir em Florianópolis diferentes protagonistas da cadeia de grãos, o Congresso Cerealista Brasileiro coloca em discussão uma questão que ganha importância a cada nova safra: como transformar o crescimento da produção agrícola em mais competitividade, investimentos e oportunidades de negócios para o Brasil.

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