Agências
Acompanhe:

Banco mais antigo do mundo está em centro de escândalo

O BMPS confirmou que a operação com produtos derivados chamada de "Alexandria", resultou em uma importante perda que afetará o balanço de 2012


	Fachada do banco italiano Banca Monte dei Paschi di Siena (BMPS): o banco deve realizar uma assembleia geral de acionistas.
 (Andreas Solaro/AFP)

Fachada do banco italiano Banca Monte dei Paschi di Siena (BMPS): o banco deve realizar uma assembleia geral de acionistas. (Andreas Solaro/AFP)

G
Giuseppe Cacace

23 de janeiro de 2013, 17h43

Milão - Um escândalo de grandes proporções ligado a produtos financeiros derivados atinge o Banco Monte dei Paschi di Siena (BMPS) e sacode o mercado financeiro italiano, enquanto o governo de Mario Monti se esforça para resgatar o banco mais antigo do mundo, fundado em 1472.

O BMPS confirmou que a operação com produtos derivados chamada de "Alexandria", realizada em 2009 junto ao banco japonês Nomura, resultou em uma importante perda que afetará o balanço de 2012.

A notícia, revelada na terça-feira pelo jornal Il Fatto Quotidiano, chega no pior momento para o banco que se prepara para receber um empréstimo estatal de 3,9 bilhões de euros.

O banco deve realizar uma assembleia geral de acionistas.

Nesta quarta-feira, as ações do banco perdiam 7% ao meio-dia e na terça fechou em queda de 5,68%.

Segundo o jornal Il Sole 24 Ore, o BMPS registrará em 2012 perdas "superiores a 2 bilhões de euros", dos quais pelo menos 220 milhões correspondem à operação Alexandria.

O escândalo, longe de ser esclarecido, causou sua primeira vítima na terça. Giuseppe Mussari, que foi presidente da Fundação Monte dei Paschi di Siena, principal acionista do BMPS (34,94% do capital), e do banco entre 2006 e 2012, esteve diretamente ligado ao caso Alexandria e renunciou a seu cargo de diretor da Associação Bancária Italiana (ABI).

O presidente Alessandro Profumo e o diretor-geral Fabrizio Viola também correm risco.

O escândalo pode influenciar na campanha das eleições legislativas de fevereiro. Os adversários de Monti criticam sua filosofia de "defender os oligarcas contra o povo".