É isto que Edward Snowden pensa sobre o blockchain

“É uma faca de dois gumes”, disse o ex-agente da NSA em evento de EXAME

São Paulo – O blockchain funciona como um livro-razão virtual, protegido por criptografia e, portanto, imutável. Cada nova informação gravada fica vinculada à anterior, criando uma corrente segura de registro de informações. Por conta disso, a tecnologia pode, em tese, ser considerada a solução para a eliminar intermediários nos mais diversos processos cotidianos do mercado e, de quebra, evitar o monitoramento de informações por terceiros. Para Edward Snowden, ex-agente de inteligência da NSA (agência de segurança dos Estados Unidos), conhecido por revelar um monitoramento massivo de cidadãos, em níveis nacionais e internacionais, o blockchain é uma faca de dois gumes.

Snowden participou do EXAME Fórum de Segurança de Informação, realizado em São Paulo, nesta quarta-feira (22).

A tecnologia ganhou destaque na mídia e junto a especialistas em tecnologia de informação, em certa medida, devido ao sucesso do bitcoin, famosa das criptomoedas. As transações feitas por essas moedas virtuais são gravadas em blockchains públicas e não podem ser alteradas, de modo que não haja duplicidade de transações com o mesmo dinheiro. Snowden não vê o blockchain como a fórmula mágica para a solução de todos os problemas de rastreamento que temos hoje.

“A aplicação do blockchain nas criptomoedas é muito promissora porque elimina o homem no meio das transações. O lado ruim é que o blockchain, mais o usado no bitcoin, é que ele é completamente público. Isso torna tudo menos privado e arriscado. Quando aplicamos isso à identificação nacional, isso é assustador. Podem fazer registros sobre você que nunca podem ser esquecidos. Se criarmos um método perfeito de capturar a história, isso pode ser usado para transações anônimas. Isso também pode criar um sistema de registro da sua vida, um Facebook que não pode se apagado. Isso é muito perturbador”, afirmou Snowden.

Snowden destacou ainda que, apesar de algumas alterações terem sido feitas pelo governo americano, o monitoramento em massa ainda acontece e que os países não estão livres de interferência externa durante o período eleitoral, especialmente por esse contexto de espionagem em nível global de sistemas de comunicação. A solução, para ele, seria a criação de uma lei global contra esse tipo de prática, bem como uma fiscalização conjunta de todos os países—o que não acontece hoje.

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