Como o WhatsApp Pay muda o jogo no pagamento entre pessoas

O aplicativo de mensagens passou a permitir as transferências de dinheiro entre pessoas; empresas ainda não estão na solução de pagamentos

O WhatsApp Pay chegou ao mercado nesta semana com a promessa de facilitar as transferências financeiras entre os usuários do aplicativo de mensagens mais popular nos smartphones dos brasileiros. O serviço havia sido lançado no ano passado, mas logo foi barrado pelo Banco Central para análise do seu funcionamento no Brasil. Agora, as transferências monetárias pelo aplicativo começam a chegar a todos com parcerias com instituições financeiras e diversos processadores de pagamentos digitais.

Bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Inter e Nubank já estão no WhatsApp Pay. Além disso, cartões das bandeiras Visa e Mastercard estão habilitados para as transações no aplicativo de mensagens.

O serviço de pagamentos é entre pessoas, ao menos neste primeiro momento. Com isso, transações com grandes empresas não estão habilitadas. Mesmo os pequenos negócios individuais que utilizarem o recurso de pagamento, elas estarão sujeitas aos termos do uso entre pessoas

Em entrevista para a EXAME, Percival Jatobá é vice-presidente de soluções e inovação da Visa do Brasil, conta que o projeto de pagamentos junto ao WhatsApp começou há cerca de três anos. Segundo o porta-voz, toda a transação é criptografada ponta a ponta e utiliza recursos dos serviços Visa Direct e Visa Cloud Token. 

“O projeto tem um caráter tecnológico, mas é, acima de tudo, muito democrático. Nós conseguimos trazer à mesa os cartões pré-pagos. Antes, eram apenas os cartões de crédito na solução de pagamentos. Mas o Facebook compreendeu a importância desses cartões pré-pagos, que permitem a uma nova população de consumidores a participação nos pagamentos digitais”, afirma Jatobá. 

O especialista da Visa avisa que os pagamentos não devem ser adotados por negócios. “Para esse nicho, haverá outra solução. O WhatsApp Pay é mais uma alternativa para o consumidor”, diz. Com a experiência das transferências por aplicativo, empresas como a Visa poderão utilizar o modelo adotado na gestão de pagamentos para outras oportunidades de negócios.

João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul, ressalta, em entrevista à EXAME por e-mail, a importância da segurança das informações digitais e o uso de tokenização, um processo automático e criptografado de substituição dos dados reais por outros equivalentes.

“A tokenização protege as informações do titular, substituindo o número do cartão original de 16 dígitos por um número alternativo exclusivo, ou “token”, que está associado ao cartão de débito individual de cada usuário do WhatsApp e não funcionará em nenhum outro lugar. Os consumidores criam o token e depois inserem a senha de segurança do Facebook Pay ou a biometria do dispositivo sempre que desejarem fazer uma transação”, disse Neto. “Realizamos recentemente uma pesquisa sobre pagamentos em tempo real no Brasil e tivemos o retorno que cerca de 75% dos brasileiros gostariam de poder fazê-los em tempo real, independentemente do prestador de serviço financeiro, enquanto 53% gostariam de fazer esse tipo de pagamento por meio de aplicativos de mensagens ou de redes sociais.”

Na visão de Arthur Igreja, professor convidado da FGV especialista em inovação e autor do livro “Conveniência é o Nome do Negócio”, o WhatsApp Pay dará mais fluidez aos pagamentos digitais, além de abrir oportunidades para pequenos empreendimentos pessoais. 

“A importância do WhatsApp Pay é gigantesca. Na Índia funcionou muito bem e Índia e Brasil têm tradição de WhatsApp, foram países pioneiros em virtude das características socioeconômicas, da velocidade da internet e da forma com que as pessoas fazem negócio. Tem tudo para dar muito certo vide a presença do aplicativo nos smartphones, a facilidade de uso e o fato do WhatsApp, especialmente na pandemia, ter se tornado uma espécie de sistema de gerenciamento de clientes, ampliando o relacionamento de empresas e pequenos negócios com os clientes”, diz o professor, que também lembra do histórico de vazamento de dados do Facebook, empresa que é dona do WhatsApp. 

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