Big Techs têm US$ 470 bi em caixa — metade da dívida pública do Brasil

Indicadores superlativos mantêm governos e autoridades monetárias em estado de alerta

A pandemia cravou a ideia do superlativo e acelerou um processo de digitalização numa pista de alta velocidade. E sem retorno. Às mais de 3 milhões de mortes por Covid-19 em pouco mais de um ano somam-se mudanças drásticas de comportamento social, retração econômica, intervenções maciças de bancos centrais nas principais economias — em moda desde a crise financeira de 2008/2009 — e escalada do uso da tecnologia. Não à toa, os resultados das “Big Techs” no primeiro trimestre são impressionantes em todas as medidas e sugerem a apreensão de legisladores, sobretudo no Congresso dos Estados Unidos, com a expansão sem fronteiras dessas gigantes.

As chamadas FAAMGFacebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google — encerraram o primeiro trimestre do ano com posição consolidada de US$ 467 bilhões em caixa, cifra equivalente a um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e suficiente para livrar o governo brasileiro de um problemão. Para efeito de comparação, vale dizer que, com esse caixa para lá de robusto, seria possível liquidar metade da dívida interna em títulos do Tesouro Nacional. Dívida que, neste momento, perturba o sono de expoentes da equipe econômica e especialistas de renome.

Levantamento da Economatica para o EXAME IN, revela que esse quinteto, grande responsável pela renovação de recordes sobre recordes nas Bolsas americanas e também por quedas menos frequentes mas assustadoras dos principais índices, consolidou um valor de mercado de US$ 8,3 trilhões ao final de março. A grandeza dos indicadores das “Big Techs” não para aí. A mediana da rentabilidade também consolidada dessas cinco gigantes alcançou 31,91%, a maior da história. Considerando que antes do lucro foram anos e anos de prejuízo, é uma rentabilidade superior a do setor financeiro, por exemplo.

O lucro consolidado atingiu US$ 74,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, pouco inferior aos US$ 77,8 bilhões registrados no último período de 2020, mas 106% superior aos US$ 36,2 bilhões obtidos um ano antes.

Investir é preciso

O caixa nas alturas autoriza investimentos das techs em qualquer segmento, notadamente, em upgrade e diversificação de produtos, caso da Apple que lançou um programa de recompra de US$ 90 bilhões de ações — também um investimento à altura do que ela representa. A Amazon vem apostando na ampliação e criação de centros de distribuição. No Brasil, a abertura desses centros é foco de atenção que atiça a concorrência e desperta interesses sobre a futura privatização dos Correios. Fazer da folga de caixa instrumentos financeiros faz parte do direcionamento de parcelas do caixa polpudo, assim como aprimoramento e réplicas cada vez mais eficientes de plataformas digitais que facilitam a vida do cidadão, independente de pátria ou bandeira.

O Facebook pretende investir em pagamentos online com o apoio do blockchain. Seu filhote WhatsApp tornou-se meio de pagamento com operação aprovada pelo Banco Central do Brasil recentemente. No ano passado, o Whats já havia sido sancionado como meio de pagamentos na populosa Índia. O poder desse instrumento, que arrepiou fintechs locais, pode ser mensurado por seu também superlativo número de usuários no planeta: 2 bilhões de pessoas que trocam 29 milhões de mensagens por minuto.

Em tempos de pandemia com brutais consequências econômicas, a Amazon se encarregou do patrocínio de uma linha de crédito para pequenos empreendedores em parceria com o Goldman Sachs. Na toada financeira, a Apple se apressou e trouxe o Apple Card, enquanto o Google planeja ter sua própria conta corrente. Ancoradas em indicadores superlativos, as “Big Techs” marcham com a consistência exibida há décadas pelo sistema bancário convencional que hoje se apressa para a modernização.

O desempenho dessas companhias confirma que por trás das marcas — que tornaram corriqueiras e imprenscindíveis trocas de mensagens e manifestações em redes sociais — as “techs” são de fato bigs em concentração financeira e, claro, de dados. Ingênuo imaginar que escaparão da vigilância de governos e, por que não, das autoridades monetárias. Aliás, nada populares.

 

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