Apple demite recrutadores em plano de redução de contratações

O CEO da Apple, Tim Cook, já havia afirmado que a empresa frearia os gastos nos próximos meses
Funcionários da Apple: pelo menos 100 trabalhadores autônomos foram dispensados (DALE DE LA REY/Getty Images)
Funcionários da Apple: pelo menos 100 trabalhadores autônomos foram dispensados (DALE DE LA REY/Getty Images)
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Bloomberg

Publicado em 17/08/2022 às 13:24.

Última atualização em 17/08/2022 às 14:55.

A Apple demitiu muitos profissionais de recursos humanos terceirizados na semana passada, como parte do plano do gigante de tecnologia para desacelerar as contratações e gastos, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Cerca de 100 trabalhadores autônomos foram dispensados, em uma medida atípica na empresa mais valiosa do mundo, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas. Os recrutadores eram responsáveis pela contratação de novos funcionários para a Apple, e os cortes destacam que a companhia passa por uma desaceleração.

Os trabalhadores demitidos foram informados de que os cortes refletiam mudanças nas atuais necessidades de negócios da Apple.

A Bloomberg reportou em primeira mão no mês passado que a empresa planejava desacelerar as contratações, depois de expandir a força de trabalho por anos, seguindo os passos de muitas companhias de tecnologia que pisaram no freio.

O CEO da Apple, Tim Cook, confirmou durante teleconferência de resultados que a empresa seria mais “deliberada” em seus gastos — mesmo com a continuidade do investimento em algumas áreas.

“Acreditamos em investir durante a crise”, disse Cook a analistas. “E, assim, continuaremos a contratar pessoas e investir em áreas, mas estamos sendo mais deliberados em fazê-lo em reconhecimento às realidades do ambiente.”

A Apple ainda mantém recrutadores que são funcionários com carteira assinada, e nem todos os terceirizados foram demitidos como parte da mudança. Um porta-voz da Apple não comentou a decisão.

Fazer demissões não é uma medida típica da empresa de tecnologia de Cupertino, Califórnia, que emprega mais de 150 mil pessoas. Mas está longe de ser a única a dar esse passo. Nos últimos meses, Meta Platforms, Tesla, Microsoft, Amazon.com e Oracle eliminaram empregos diante da desaceleração nos gastos com tecnologia.

Terceirizados dispensados foram informados de que receberiam salário e assistência médica por duas semanas. Quando demitidos, seus crachás foram desativados e os trabalhadores informados de que precisariam enviar por e-mail uma lista de seus pertences se quisessem que esses itens fossem devolvidos. Os recrutadores foram dispensados em muitas regiões, inclusive nos escritórios da Apple no Texas e em Singapura.

A Apple demitiu anteriormente um grande grupo de terceirizados em 2019 em Cork, na Irlanda. Na época, a empresa contava com várias centenas de autônomos para ouvir as gravações das conversas da assistente virtual Siri com o objetivo de ajudar a melhorar o produto. A Apple demitiu os trabalhadores após reavaliar o programa em resposta a questões de privacidade. A empresa também dispensou alguns terceirizados que trabalhavam no campus da Apple Park em 2015.

Como muitas outras empresas, a Apple emprega terceirizados para tarefas como suporte técnico e atendimento ao cliente. Também contrata autônomos para localizar produtos e melhorar seu serviço de Maps. Terceirizados normalmente recebem menos benefícios do que os que possuem carteira assinada e têm menos proteções.