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O ano do crowdfunding: mini-investimentos em startups devem ser destaque em 2023

Regras mais flexíveis devem expandir o mercado de equity crowd­funding, modalidade de investimento digital coletivo em startups; saiba mais

O crowdfunding — agora mais profissionalizado — pode vivenciar bons ares no próximo ano (Rudzhan Nagiev/Getty Images)

O crowdfunding — agora mais profissionalizado — pode vivenciar bons ares no próximo ano (Rudzhan Nagiev/Getty Images)

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Maria Clara Dias

15 de dezembro de 2022, 06h00

Na esteira de mudanças regulatórias aprovadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste ano, o equity crowd­funding, modalidade de investimento digital coletivo em startups, teve em 2022 uma de suas melhores fases da história.

Em julho, o órgão regulador aprovou uma série de medidas que havia tempos estavam na mira de investidores interessados em continuar alocando investimentos em empresas promissoras, mas com menor risco de exposição às adversidades do cenário macroeconômico — como a própria ressaca global ao venture capital por causa da escalada mundial dos juros para combater a inflação. 

Em contrapartida, o mercado de pequenos investimentos coletivos deve bombar em 2023. Parte desse movimento se dará pela incursão de empresas mais maduras em captações. Em razão das novas regras aprovadas pela CVM, estão permitidas rodadas de até 15 milhões de reais, o triplo do estabelecido antes das alterações aprovadas recentemente. Podem participar empresas com receita bruta de até 40 milhões de reais.

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“Uma coisa que a gente tem visto é a aproximação de diversos negócios bem robustos e que agora, em razão do limite de 15 milhões de reais, estão interessados em fazer crowdfunding. A gente acredita que várias rodadas desse valor podem ser promovidas em 2023, o que será um desafio”, diz Paulo Deitos, CEO da Captable, uma das principais plataformas de equity crowd­funding do país. 

Outra alteração com potencial de impactar o mercado está na possibilidade de parcerias de distribuição. Agora, com a permissão para a aproximação de plataformas e canais de investimentos mais tradicionais, como corretoras, bancos, agentes, é possível que pessoas físicas que ainda desconhecem essa modalidade virem investidores pelo simples fato de terem o produto apresentado como alternativa por instituições financeiras familiares a elas. “O nicho, que sempre foi nicho, deixará de ser nicho”, diz Camila Nasser, fundadora e CEO da plataforma de crowdfunding Kria. 

Longe do antigo estigma de “vaquinha virtual” organizada por grupos de amigos ou empreendedores decididos a ajudar a tirar uma ou outra ideia das apresentações de slides e levá-la ao mercado, o crowdfunding — agora mais profissionalizado — pode vivenciar bons ares no próximo ano. “Sem dúvida afirmo que 2023 será o ano do crowdfunding. Afinal, será o primeiro ano completo em que veremos as mudanças em curso tendo efeitos em escala”, diz Nasser. 

Juntas, a diversificação, a flexibilidade, a incursão de pessoas jurídicas entre os financiadores e a possibilidade de maior liquidez (uma consequência da autorização das vendas das ações no mercado subsequente) devem impulsionar a modalidade e também fazer proliferar o número de plataformas do tipo. 

Desde o início da regulação do crowdfunding de investimento pela CVM, em 2017, o mercado segue numa crescente. Em 2021, 56 plataformas estavam cadastradas na autarquia, um aumento de 75% se comparado a 2020. Na análise da Kria, o mercado como um todo cresceu 22 vezes nos últimos seis anos. Esperamos a promoção de rodadas maiores. Isso pode fazer com que dobre ou triplique o volume de captações via crowdfunding no Brasil”, diz Deitos.


(Publicidade/Exame)