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CEO e Triatleta: Marcelo Zimet, da L’Oréal Brasil, revela detalhes da sua paixão pelo triatlo

Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal Brasil, está acostumado a exigir o máximo da mente e do corpo no triatlo, mas os benefícios vão além da saúde

Marcelo Zimet: rotina de treinos no Rio começa às 5 da manhã (Andre Valentim/Exame)

Marcelo Zimet: rotina de treinos no Rio começa às 5 da manhã (Andre Valentim/Exame)

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Gabriel Aguiar

15 de dezembro de 2022, 16h12

O que não pode faltar na mala de viagem? Para Marcelo Zimet, primeiro CEO nascido aqui da história da L’Oréal Brasil, a resposta vai bem além do trivial. “Eu sempre levo a minha bicicleta desmontada e alguns saquinhos de gel [suplemento energético]”, explica. O excesso de bagagem não é mero capricho de quem prefere as marcas Trek e Canyon: o executivo pratica triatlo e aproveita para tentar encaixar os treinos (e até mesmo as competições) em meio a uma disputada agenda.

Tudo começou há cinco anos, quando Zimet morava em Buenos Aires e foi apresentado ao esporte por um amigo argentino. O que deveria ser somente um desafio de pedaladas para quem já estava acostumado a nadar desde cedo virou um hobby — completado pela corrida, que ficou por último. Só que a dedicação começou para valer quando Zimet voltou ao Rio de Janeiro, no fim de 2019, principalmente por causa do clima mais agradável.

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“Eu gosto de acordar cedo e, depois de 2 ou 3 horas de exercício, ir ao escritório ainda pela manhã”, conta Zimet. “Minha paixão pelo triatlo aumentou ainda mais durante a pandemia, quando a gente tinha de praticar os esportes ao ar livre, mas ainda me considero um amador. Talvez um amador um pouco melhor, mas amador. Tento sempre equilibrar o tempo entre família, trabalho e esporte, porque meu propósito é não atrapalhar nada. É por isso que eu acordo às 5 horas da manhã e treino pela região da Lagoa Rodrigo de Freitas ou pelo Aterro do Flamengo antes de ir trabalhar [a sede fica no Porto Maravilha].”

É claro que essa vida exige algumas concessões, como cancelar compromissos à noite, deixar de beber e cuidar (muito) da alimentação. Para o executivo, é tudo questão de negociação. Deu certo: a esposa acompanha na torcida junto com os filhos e até tentou participar de uma prova. “Esse é meu desafio atual, porque esse é um esporte individual, mas tenho tentado trazer minha família para curtir junto comigo”, diz.

Para encaixar todas essas tarefas e ainda trabalhar em três fusos horários diferentes, com México e França, é fundamental ter bom controle da agenda. “Eu dependo do meu planejamento de horários, porque cada minuto vale muito. Não só para mim, mas também para os times. Antes eu achava que mais trabalho era melhor. Hoje, vejo que eficiência é mais importante. Por isso, nossas reuniões terminam super on time. Dá até para falar que o triatlo me ajudou nas decisões durante a pandemia, porque, em momentos de crise, eu via os desafios e pensava nas diferentes perspectivas.”

A nova rotina também trouxe reflexos para dentro da empresa, desde opções mais saudáveis em vez de salgadinhos trash durante os ­coffee breaks até a motivação para que todo o time faça melhor gestão do tempo para encaixar atividades ao ar livre e família. E, se antes era quase regra trabalhar o tempo todo, agora não existem reuniões antes das 9 horas da manhã e depois das 18 horas. E o horário de almoço é sagrado. Para completar, todos saem às 15 horas às sextas-feiras.

“Quando eu comecei a falar abertamente de esporte na L’Oréal, descobri que existem muitos outros triatletas na empresa e que é muito comum que executivos treinem, porque demanda planejamento e superação”, afirma. Na gestão de Zimet a empresa vem colecionando números dignos de pódio. O Brasil cresceu dois dígitos no terceiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2021, e acima do mercado de beleza. Por aqui, a empresa atua em 21 marcas, de Garnier, que é vendida nos supermercados, a linhas profissionais, como Kérastase. Na América Latina, o crescimento foi de 22,3% no terceiro semestre frente ao ano passado. Globalmente, a empresa é a maior do segmento de beleza.

Para dar o primeiro passo, o executivo recomenda respeitar o tempo de adaptação, desde os primeiros treinos até o Ironman completo, com 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida. “Ainda quero participar de algumas provas divertidas, como o Ironman no Havaí, onde o esporte realmente nasceu, e uma disputa que acontece em São Francisco, saindo de Alcatraz. Para mim, as competições mais importantes são aquelas que você consegue lembrar. Minhas maiores superações foram em Florianópolis, quando quase congelei a 13 graus Celsius, e no Espírito Santo, quando fiquei coberto de sal e morrendo de cãibras.” E qual é o melhor tempo de prova até agora? “Para mim, é sempre o próximo.”

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Nade, pedale, corra

Cinco dicas para quem também quer se aventurar no triatlo

→ CUIDADO COM A SAÚDE
“Faça um belo check-up para saber como está a saúde e qual é o momento do corpo, porque essa é uma atividade que exige muito, principalmente do sistema cardíaco”

→ ACESSÓRIO ESSENCIAL
“Muito antes de qualquer acessório, é essencial ter um bom smartwatch. Nem precisa ser algo supertecnológico; basta ver dados de frequência cardíaca e monitorar a saúde”

→ BICICLETA CERTA
“Para começar, dá até para comprar uma bicicleta de montanha ou de estilo speed, já que o mais importante é começar a pedalar”

→ COMO TREINAR
“É ideal se inscrever em uma academia que tenha piscina, porque assim fica melhor para treinar; se possível, vale investir em uma assessoria para ajudar na preparação e nas dicas para se sair melhor nas provas”

→ EQUIPAMENTOS ADEQUADOS
“Na medida do possível, vale investir em equipamentos de qualidade. Detalhes fazem a diferença em provas de resistência, como ter um bom par de tênis” — que, no caso de Zimet, costuma ser da marca Asics ou Nike


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