Revista Exame

As empresas escolhem seus presidentes dentro de casa

Na hora de trocar o principal executivo, as empresas brasileiras priorizaram a promoção interna — e quem teve de contratar gente de fora pagou ainda mais caro neste ano

Di Domenico, da Brasil Kirin: promoção interna após buscas de executivos no mercado (Germano Lüders/EXAME.com)

Di Domenico, da Brasil Kirin: promoção interna após buscas de executivos no mercado (Germano Lüders/EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 13 de setembro de 2013 às 06h27.

São Paulo - Assim que a japonesa kirin adquiriu a fabricante de bebidas Schincariol, no fim de 2011, o então vice-presidente de operações, Gino Di Domenico, recebeu uma missão especial. Sua tarefa era organizar e apresentar um plano de negócios para o presidente a ser contratado no mercado pelos novos acionistas.

Pouco mais de um mês depois, com o plano em mãos, Di Domenico foi surpreendido por outra notícia. Ele mesmo seria o principal executivo da Brasil Kirin, que havia suspendido as buscas em andamento nas consultorias especializadas.

“Não me passou pela cabeça que eu seria o escolhido. Contou a meu favor o fato de conhecer bem a empresa e ter participado ativamente do processo de integração”, afirma Di Domenico, que chegara à empresa cinco anos antes como diretor industrial. “Apostaram na solução caseira.”

Em 2012, promover internamente foi uma saída recorrente para as empresas na hora de trocar a principal posição de comando, segundo o levantamento da consultoria Hay Group. De acordo com os dados, a maioria delas — 57% — decidiu por esse caminho. Além de a adaptação ser mais rápida, a saída se provou mais barata.

O promovido recebeu um salário, em média, 4% menor do que o do antecessor. Na outra ponta, os contratados de fora chegaram com um salário 14% maior em relação ao do executivo que ocupava a cadeira até então.

“Mesmo depois de anos de aquecimento na contratação de executivos, quem quer contratar um presidente de fora ainda paga mais caro”, diz Luís­ Giolo, diretor-geral da consultoria de contratação de altos executivos Egon Zehnder no Brasil.

Optar por um veterano da casa tem sido a saída menos custosa para as empresas, mas já foi mais barato. Em 2011, quem era promovido ao cargo de presidente recebia 29% menos do que o antecessor. Contratar de fora ficou ainda mais caro — em 2012, a diferença era 9,5%, cinco pontos percen­tuais menos do que em 2013.

A explicação está na inflação de salários dos últimos anos, decorrente do aumento da demanda por profissionais qualificados. Por exemplo, só neste ano, cinco diretores da fabricante de medicamentos Novartis receberam oferta de concorrentes — e um deles, Adid Jacob, acaba de ser promovido a presidente, após a ida do antecessor para outro país. “Não perdemos executivos para o mercado”, diz Jacob.


Para quem não tem preparado um sucessor dentro de casa, no entanto, não resta alternativa senão trazer gente de fora. Foi o caso da fabricante de artigos esportivos Cambuci, dona das marcas Penalty e Stadium, que tinha como presidente executivo e do conselho o paulista Roberto Estefano, filho de um dos fundadores.

Em abril deste ano, Estefano contratou um sucessor. O escolhido foi Paulo Ricardo de Oliveira, ex-diretor financeiro da Drogaria Onofre. Estefano não revela quanto o novo presidente vai receber, mas adianta que Oliveira foi o candidato que fez o pedido mais alto referente à parcela variável, que representará cerca de 40% de sua remuneração.

O bônus para as metas batidas será de até 12 salários. “Como já acontece nos Estados Unidos, o percentual variável mais agressivo tem dado o tom nas negociações”, afirma Estefano. “Nesse caso, o ganho só se concretiza se o resultado aparecer. E o risco não está só com quem contrata.”

Bancar a conta de não ter sucessores sai ainda mais caro em momentos de crise. A fabricante de cosméticos Avon, que acumulou prejuízo de 162 milhões de dólares no último trimestre de 2012, paga o dobro para a nova presidente da empresa, a americana Sherilyn McCoy, que assumiu o cargo em abril de 2012, do que pagava à antecessora, Andrea Jung. E 40% mais do que Sherilyn recebia na fabricante de produtos de consumo John­son&Johnson.

Algo parecido aconteceu com a subsidiária brasileira da farmacêutica Bristol-Myers Squibb, que fechou 2012 com prejuízo líquido de 152 milhões de reais. Diante da crise, a solução encontrada foi atrair alguém de fora para fazer uma virada. O escolhido foi Gae­tano Crupi, ex-presidente da farmacêutica americana Abbott no Brasil, que assumiu a nova posição em agosto de 2012.

Para tirá-lo do cargo, a Bristol -Myers ofereceu um salário 40% maior do que o anterior. “Entre outras frentes, vou trabalhar para deixar sucessores”, diz Crupi. Não há receita definitiva para o sucesso. Mas neste ano pagou menos quem fez a lição de casa.

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