Alocação recorde se aproxima de participação em ações

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Alocação em debêntures bate recorde e revela nova configuração na indústria de fundos

Participação de fundos em debêntures nunca esteve tão próxima ao volume de investimentos em ações

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Alocação em debêntures bate recorde e revela nova configuração na indústria de fundos

Participação de fundos em debêntures nunca esteve tão próxima ao volume de investimentos em ações

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Por Guilherme Guilherme

Publicado em 31/05/2024, às 12:49.

Última atualização em 31/05/2024, às 13:01.

Alocação recorde se aproxima de participação em ações

Os fundos nunca investiram tanto em debêntures. A alocação no ativo, que é um título de dívida corporativa, vem subindo de forma contínua desde 2020 e, em março, atingiu 7,3% de toda a indústria a maior proporção de toda a série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) iniciada em 2006.

A alocação é de R$ 476,5 bilhões, em termos nominais, maior do que a soma de todo valor de mercado de Itaú (R$ 285 bilhões) e Bradesco (R$ 130 bilhões). Em relação ao início da década, quando a alocação em ações chegou à máxima de 15,1% dos fundos, os investimentos de gestores em debêntures cresceram 150%. Hoje, com apenas 9% dos fundos em bolsa, o volume de investimentos em debêntures nunca esteve tão próximo ao do mercado de ações.

A concentração de investimentos em debêntures é resultado de uma revolução silenciosa, que passa por juros estruturalmente mais altos, alterações regulatórias e anos de constantes saques em fundos de ações. Nesse cenário, investir em crédito privado se tornou mais do que uma oportunidade, para algumas gestoras, uma questão de perpetuidade.

Equitas fará IPO de 1º fundo crossover do Brasil

Gestoras de ações entram em crédito privado

É nesse ambiente que a Equitas, que se consolidou em 20 anos no mercado de ações, começa a dar seus primeiros passos no crédito privado. A mudança foi acompanhada da adoção de um novo nome para sublinhar que o horizonte de investimentos vai além do mercado de equities. Desde maio a gestora passou a se chamar Drýs Capital, em referência à longevidade do carvalho.

"Os fundos de crédito privado dão um perfil diferente para a gestora, com diversificação de receita, o que dá muito mais estabilidade para a empresa. Assim, ficamos menos expostos aos ciclos", afirma Luis Felipe Amaral, CEO e sócio-fundador da Drýs Capital. Amaral conta que a ideia de expandir a área de atuação não é nova, mas que só agora se abriu a janela de oportunidade. "Pensamos em abrir essa estrutura em 2018, mas, na época, havia a percepção que uma gestora de ações tinha que focar apenas em ações. Começamos a ver uma mudança de percepção a partir de 2020."

Mesmo que possam gerir até mais recursos do que alguns fundos de ações, os de crédito costumam ter taxas e custos mais baixos por serem formados por equipes menores. Na Drýs, o time de crédito privado é formado por três analistas, além do gestor Ricardo Colin, ex-diretor do Alfa, que chegou para tocar a frente de renda fixa. Em renda variável, são onze. Apesar da estrutura mais enxuta, Colin conta que é uma vantagem estar acoplado em uma gestora com raízes no mercado de ações, por poder aproveitar a profundidade das análises da casa. "Há uma estrutura muito parruda de análise e acompanhamento."

O caminho é semelhante ao percorrido pela Trígono Capital, que teve início com investimentos em small caps e entrou em 2022 no crédito privado. Na renda fixa, a estratégia seguida é semelhante à adotada na variável, com a análise bottom-up. "Nunca seremos um fundo de abordagem macroeconômica. A análise que fazemos para ações é próxima da que utilizamos em crédito. Trocamos bastante informações entre as áreas em nossos comitês", afirma Marcelo Peixoto, head de crédito da Trígono Capital.

Luis Rodrigues Nazário, gestor do fundo de crédito da Principal Claritas

A corrida pelas debêntures

A busca por crédito privado se reflete na captação recorde dos fundos de renda fixa, que estão com saldo positivo de R$ 200 bilhões no ano.  Até então, o ano de maior captação dos fundos de renda fixa tinha sido 2011, quando entraram R$ 85 bilhões.

Luis Nazário, que é gestor de crédito privado na Principal Claritas, afirma que parte da captação é explicada pelo nível da taxa de juros. "O nível atual, próximo de 10,5%, é o ideal para a captação de fundos de crédito privado. Se o juro fosse menor, não seria tão atrativo e, se fosse maior, qualquer título público ou CDB de banco já traria um retorno considerável com um menor risco." Outros dois fatores que, segundo Nazário, têm ajudado a sustentar a captação em renda fixa é a tributação sobre fundos exclusivos e as novas restrições para emissão de títulos isentos, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Imobiliários (CRI). "Parte desse dinheiro está sendo direcionada para fundos de crédito privado, que têm uma estrutura de rentabilidade parecida."

Esse efeito, diz Nazário, tem gerado uma demanda especial para fundos de debêntures incentivadas, que são isentas de imposto de renda para pessoas físicas. Foi, inclusive, pensando nessa maior busca que a gestora decidiu estruturar um produto dedicado a esse tipo de ativo, geralmente atrelado a projetos de infraestrutura. Na pessoa física, a alocação em debêntures incentivadas teve um crescimento substancial nos últimos anos, com salto de 276% desde 2020 entre investidores de varejo e de 57% no private. Com o desmonte de fundos exclusivos e restrições para novas emissões de isentos, especialistas estimam que a proporção de investimentos em debêntures continue aumentando nos investimentos pessoais e institucionais, sejam elas incentivadas ou não.

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