Incentivos a Hollywood: duas iniciativas têm objetivos diferentes, mas partem do mesmo problema, a queda da produção cinematográfica e televisiva dentro dos EUA (Divulgação/ Montagem EXAME)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 16h33.
Última atualização em 2 de setembro de 2026 às 16h46.
Hollywood pode ganhar novos incentivos para produzir filmes e séries nos Estados Unidos. A movimentação acontece em duas frentes: uma proposta de incentivo fiscal federal, que começa a ser estruturada em Washington, e uma mudança na legislação da Califórnia para preservar a competitividade do programa estadual de benefícios à produção.
As duas iniciativas têm objetivos diferentes, mas partem do mesmo problema: a queda da produção cinematográfica e televisiva dentro dos Estados Unidos.
Nos últimos anos, produções passaram a buscar cada vez mais países que oferecem incentivos fiscais para receber filmagens. Reino Unido, Canadá e Austrália estão entre os destinos citados pela indústria.
A proposta federal tenta tornar os EUA mais competitivos na disputa internacional por filmagens, enquanto a medida da Califórnia tenta garantir que o principal polo histórico de Hollywood continue competitivo dentro do próprio país.
A proposta federal recebeu o nome de "Motion Picture, Television, and Entertainment Revitalization Act". A legislação ainda está sendo elaborada e deve ser apresentada com apoio bipartidário no Congresso americano.
A ideia é criar um incentivo fiscal nacional para filmes e séries produzidos nos Estados Unidos.
Atualmente, produzir fora do país frequentemente é mais barato porque diversos governos oferecem benefícios para atrair produções. O objetivo da proposta é reduzir essa diferença e tornar economicamente mais interessante filmar dentro dos EUA.
O projeto também deverá ser apresentado como uma iniciativa de geração de empregos. A estratégia busca conquistar apoio político mostrando que a chamada "produção fugitiva" não afeta apenas Hollywood, mas também trabalhadores e empresas de diferentes regiões americanas.
Mais de 120 países oferecem algum tipo de subsídio para atrair produções audiovisuais. Isso criou uma disputa internacional para decidir onde grandes filmes e séries serão gravados.
O Reino Unido, por exemplo, se tornou um dos principais centros para grandes produções. O país recebeu projetos como filmes da Marvel, "The Odyssey", "Jurassic World Rebirth" e "A Knight of the Seven Kingdoms".
Segundo dados citados pela indústria, produções internacionais movimentaram aproximadamente US$ 7,8 bilhões na economia britânica em 2025. Os gastos de produções americanas no país cresceram quase 30% em relação ao ano anterior.
Para Hollywood, a lógica é simples: se outros países conseguem atrair as produções oferecendo benefícios fiscais, os Estados Unidos precisam oferecer condições semelhantes para manter uma parcela maior desse trabalho em seu próprio território.
A Califórnia já possui um programa próprio de incentivos para cinema e televisão. Em 2025, o governador Gavin Newsom sancionou uma expansão que aumentou o programa de US$ 330 milhões para US$ 750 milhões por ano.
O problema surgiu com uma legislação orçamentária aprovada em 2026, conhecida como SB 122. A nova regra criou limites anuais para a utilização de créditos tributários empresariais, o que poderia reduzir, na prática, o impacto do incentivo destinado à indústria audiovisual.
Hollywood reagiu porque a mudança poderia tornar o estado menos competitivo justamente depois da ampliação do programa.
Para resolver o problema, a Assembleia Legislativa da Califórnia aprovou a SB 186, apresentada pelo senador estadual Ben Allen. O projeto agora está nas mãos do governador Gavin Newsom, que deve decidir até o fim de setembro se sanciona ou veta a proposta.
A legislação atua em pontos específicos:
Produções independentes ficam fora dos limites anuais: a SB 186 isenta projetos independentes dos limites anuais para utilização dos créditos fiscais empresariais.
Produtoras podem transformar mais rapidamente o crédito em dinheiro: atualmente, produções que optam por monetizar parte do crédito podem transformar 90% de seu valor em recursos. A nova regra elevaria esse percentual para 95%.
O prazo para receber o dinheiro diminui: em vez de esperar até cinco anos, as produções poderiam receber os recursos em até dois anos.