Exclusivo: Mevo, ex-Nexodata, lança operação própria de farmácia

Startup atraiu investidores como Guilherme Benchimol e Jorge Paulo Lemann com receitas médicas digitais. Depois de mudar de nome, quer atender o consumidor final com dark store de farmácia
Pedro Dias, cofundador da Mevo: por meio de logística própria, startup promete entregar remédios em até 45 minutos para a Grande São Paulo (Mevo/Divulgação)
Pedro Dias, cofundador da Mevo: por meio de logística própria, startup promete entregar remédios em até 45 minutos para a Grande São Paulo (Mevo/Divulgação)
Por Luciana LimaPublicado em 11/04/2022 13:33 | Última atualização em 11/04/2022 15:39Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Há menos de um mês, quando mudou de nome, a Mevo, que até então se chamava Nexodata, anunciou um novo posicionamento. Depois de crescer focando no público B2B, a startup, que atraiu investidores como Jorge Paulo Lemann e André Street, da Stone, quer expandir o seus serviços também para o consumidor final. O primeiro passo dessa nova estratégia é o lançamento de uma operação própria de farmácia , além de um marketplace que permite a integração com redes de drogarias.

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Fundada em 2017 pelos empreendedores Lucas Lacerda e Pedro Dias, que foram sócios na Vitta Saúde, nos últimos cinco anos a healthtech amealhou uma rede de 300 hospitais como Rede D’Or, Grupo NotreDame Intermédica e Albert Einstein, com serviços de receitas médicas digitais. Ao todo, foram 60 mil médicos atendidos e 6 milhões de prescrições emitidas.

Mas, só a frente com os hospitais não era o suficiente para atingir a meta que os empreendedores tinham lá atrás, quando fundaram a startup: acabar com as receitas em papel. Segundo Dias, cofundador da Mevo, ainda hoje, apenas 10% das cerca de 1 bilhão de receitas emitidas no Brasil são digitais. A saída, então, foi cuidar da outra ponta, os pacientes.

“Depois de consolidar a nossa vertical B2B, percebemos que precisávamos atuar não só na originação da receita, mas também levar a experiência digital para os pacientes”, diz.

Para isso, a Mevo construiu sua própria farmácia, a Mevo Farma, na zona sul de São Paulo. A unidade funciona por por meio do modelo de dark store, ou seja, com foco no delivery.

Embora não divulgue o quanto investiu para tirar a ideia do papel, Dias conta que levou doze meses para estruturar a operação. Fora isso, no ano passado, a startup também se capitalizou com uma rodada série A na qual levantou R$ 35 milhões com Mercado Livre, Hospital Albert Einstein e Guilherme Benchimol, da XP.

Por meio de uma estrutura de logística própria de armazenamento, embalagem e postagem, a Mevo promete entregar remédios em até 45 minutos para Grande São Paulo e em até um dia para outros estados do Sudeste.

Marketplace 

Fora a operação própria, a Mevo também conta com um marketplace, em que os clientes conseguem comprar de farmácias próximas, também dentro do prazo de 45 minutos. Para as duas modalidades, as opções de compras podem ser vistas a partir de um outro ambiente da plataforma Mevo, após o recebimento da receita digital.

Após assinar um termo de consentimento, o paciente é levado para esse ambiente de compra e pode optar por adquirir os remédios prescritos nas farmácias parceiras ou com a Mevo Farma. Ainda, os pacientes continuam com a possibilidade de apresentar sua receita digital, presencialmente, em todas as farmácias do Brasil.

“Mesmo tendo o marketplace, optamos por montar a operação própria para controlar melhor a experiência em todo o processo de compra. Fora isso, contamos com um time de farmacêuticos prontos para tirar qualquer dúvida que o cliente tenha na hora”, diz Dias.

Dias, entretanto, é categórico quando questionado se os planos para o futuro incluem a abertura de lojas próprias com atendimento para o consumidor final. “Não, definitivamente não é essa a nossa intenção. Queremos deixar as operações físicas para as redes farmacêuticas que já tocam com competência”, diz.

“Em lugares estratégicos teremos uma operação própria para ter maior controle e visibilidade da experiência. Eu diria que é um modelo híbrido", complementa.

No ano passado, a healthtech cresceu sua receita em dez vezes. Quando questionado sobre a projeção para 2022, Dias tergiversa e se limita a dizer que pretende aumentar o time de 100 para 150 pessoas.

Os números do setor, entretanto, estão a favor do empreendedor. Com a pandemia de Covid-19 e o avanço da telemedicina, estima-se que a emissão de receitas digitais salte de 30 milhões por ano para 1 bilhão no intervalo de cinco a dez anos.

“A mentalidade do setor mudou. Há cinco anos, quando nascemos, o segmento médico era mais tradicional, diria até resistente a novos modelos de negócios. Hoje, a tecnologia não é mais uma palavrão”, finaliza.