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Vinho bom e barato? Empresa da Mooca quer ganhar o Brasil com “bag in box”

A paulistana Fabenne tem ambição de se tornar a maior marca, em volumes, do mercado brasileiro com embalagens de 3 litros e opções como o Cabernet Sauvignon

Vinho de caixa, ou bag in box: tendência nos Estados Unidos e na Austrália (Fabenne/Divulgação)

Vinho de caixa, ou bag in box: tendência nos Estados Unidos e na Austrália (Fabenne/Divulgação)

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Juliana Estigarribia

Publicado em 12 de outubro de 2020 às 08h00.

No coração do bairro da Mooca, onde a cultura e a culinária italiana estão sempre presentes, três jovens empreendedores decidiram apostar no vinho em caixa de papelão, embalagem conhecida como "bag in box". A Fabenne garante que há potencial para expansão deste segmento no Brasil e tem a ambição de se tornar a maior marca de vinhos, em volumes, do mercado nacional.

Os sócios Adriano Santucci, Thiago Santucci e Arthur Garutti atuavam em diferentes áreas quando decidiram, em 2017, abrir a Fabenne. Thiago é primo de Adriano, que por sua vez é cunhado de Arthur. "Somos da mesma família e vinho sempre esteve presente nas reuniões na casa da nonna", conta Adriano, presidente da empresa.

O conceito de bag in box não é novo e já existe desde meados da década de 1970, principalmente nos Estados Unidos, onde o consumo chega a um milhão de litros por ano, segundo Santucci. No Brasil, entretanto, o conceito nem sempre foi utilizado para bons vinhos, afirma o empresário. "Resolvemos trazer o vinho de qualidade para a categoria."

O Brasil vem elevando o consumo de vinhos a cada ano, o que tem impulsionado o setor e levado empresas a ganhar destaque até no mercado financeiro. Segundo Santucci, 70% do consumo no país é de vinho suave (ou doce) e o desafio da Fabenne é oferecer tipos tradicionais nas bags in box. Hoje, a marca tem no portfólio o vinho branco seco e o rosé seco, além do Cabernet Sauvignon.

"Queremos que o vinho saia da ocasião especial para o casual, no dia a dia do consumidor. A ideia é mostrar que o brasileiro pode tomar um vinho durante a semana sem que isso pese tanto no bolso e o mais importante, com qualidade", diz o sócio da Fabenne. "Nossa intenção não é vender vinhos para uma ocasião especial no Terraço Itália."

As embalagens da marca são de 3 litros, o equivalente ao volume de quatro garrafas convencionais de vinho. O preço é 99 reais, exceto o Cabernet Sauvignon Seleção especial, que sai por 129 reais. "Sem os custos de embalagem de vidro, rolha e frete mais caro por se tratar de vidro, nosso produto acaba se tornando muito mais acessível", relata.

A Fabenne tem parceria com uma empresa especializada nas embalagens de bag in box e o vinho vem da Cooperativa Vinícola São João, de Farroupilha, na Serra Gaúcha, que agrega 450 famílias e é considerada uma das cinco maiores do país.

"Temos parceiros homologados no Chile e na Itália para alguma eventual necessidade de quebra de safra, mas estamos tranquilos que seremos bem atendidos pela São João, nossa proposta é enaltecer o vinho brasileiro, que é muito premiado e reconhecido no exterior."

Potencial do mercado

Santucci afirma que a marca trabalha para derrubar preconceitos em relação à categoria em que a Fabenne atua e que, em mercados maduros, o conceito de vinho "em caixa" é amplamente aceito dentro e fora do setor de restaurantes e bares.

"O bag in box representa apenas 1% do mercado de vinhos no país, mas é uma ferramenta muito usada no food service, onde estamos na liderança. Também já somos líderes dentro dos lares brasileiros."

A empresa registrou crescimento das vendas de 330% até setembro deste ano e, para 2021, espera quintuplicar o faturamento. Além do e-commerce próprio e dos cerca de 25 pontos de venda ao consumidor final, a Fabenne está presente em 380 pontos de doses (bares e restaurantes). "A meta é alcançar 1.000 pontos de dose no ano que vem", diz Santucci.

A Fabenne acredita que a pandemia trouxe oportunidades para a empresa, uma vez que o consumidor está passando mais tempo em casa e estaria mais disposto a experimentar a marca. Santucci destaca que a alta expressiva do dólar pode forçar o consumidor a dar uma chance para o vinho nacional.

Com seis lançamentos em 2020 e mais quatro programados para o ano que vem, as ambições da empresa são grandes. "Queremos ser a maior marca de vinho, em volumes, do Brasil."

 

 

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