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Luso-Arenas prioriza projetos de estádios no Brasil

Empresa portuguesa é uma das que desembarcaram no país para explorar o potencial da Copa de 2014

EXAME.com (EXAME.com)
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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 03h39.

Especializada na gestão de complexos esportivos, a Luso-Arenas é uma das empresas que apostam alto na Copa do Mundo de 2014. A companhia pretende investir 1,2 bilhão de euros nos próximos cinco anos, e desenvolve projetos em cinco das 18 cidades candidatas a sediar os jogos. Nesta entrevista, o vice-presidente da empresa, Marco Antônio Herling, defende o maior espaço possível para o capital privado na organização do evento, mas alerta para as dificuldades do setor esportivo no país.

Portal EXAME - Quais são os planos da Luso-Arenas para o Brasil?

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Marco Antônio Herling - O Brasil é o principal maior foco. Pretendemos investir 1,2 bilhão de euros no país nos próximos cinco anos. Estudamos 11 projetos no Brasil: oito estádios de futebol e três centros de convenções. Destes, cinco são estádios em cidades candidatas a sede dos jogos de 2014. O projeto mais conhecido é a construção de um estádio em Salvador, o Bahia Arena, com capacidade prevista para 44.100 pessoas. Contamos com parceiros como internacionais, como o Global Spectrum [empresa de sistemas de gestão para a área de eventos e esportes], e o Stadium Capital, uma divisão do banco Morgan Stanley.

Portal EXAME - Como o senhor avalia as oportunidades de negócios no Brasil?

Herling - Já estudamos o mercado de estádios no Brasil desde 2001. É um empreendimento de altíssimo risco, porque envolve problemas políticos, problemas com a moeda, entre outros. Também há dificuldades para financiamento dos projetos. Não existem entidades que emprestam recursos para esse fim. É necessário investir com capital próprio. Mas o Mundial é um catalizador de projetos. As obras não deveriam envolver recursos públicos. É um mercado para o investidor privado. E bem interessante.

Portal EXAME - Como o senhor avalia as cidades que se candidataram para sediar os jogos do torneio?

Herling - Nosso foco são cidades que tenham potencial; contem com times fortes e que sejam referências para o país. Há cidades que não têm capacidade para isso. São projetos de longa maturação, ao redor de 30 anos. Acho que dez cidades podem atrair capital privado. No máximo 12. Mas o desejável é menos de dez.

Portal EXAME - O que fazer com os estádios, depois que a Copa acabar?

Herling - Em nossa opinião, um estádio é para jogar futebol. Não se faz outra coisa lá. Concertos, por exemplo, são uma atividade marginal, que gera custos de reparos significativos depois. Mesmo os organizadores de shows preferem locais menores, mais confortáveis, onde possam aumentar as margens de ganho.

Portal EXAME - Muitos estádios pertencem aos governos estaduais. Qual é a sua avaliação sobre as Parcerias Público-Privadas e as licitações que eles pretendem fazer para viabilizar a reforma ou construção das arenas?

Herling - Todo investidor privado prefere desenvolver seu próprio projeto, a pegar uma estrutura pronta e remodelá-la. A única maneira de otimizar um projeto é ser o seu dono, porque é preciso ter foco nos resultados. Quando um estado constrói e repassa o estádio para a iniciativa privada, pode haver custos não adequados para as empresas.

Portal EXAME - A CBF estima que cada estádio custe cerca de 100 milhões de dólares. É um custo razoável?

Herling - Pela nossa experiência, seria um pouco mais caro do que isso. Pode chegar a 30% ou 50% mais.

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