Igualdade de gênero poderia adicionar US$ 12 trilhões à economia até 2025

"O mercado de trabalho é inspirado em um modelo criado por homens e para homens. Precisamos mudar isso", diz Silvia Fazio, presidente da WILL

As mulheres retratadas neste especial são vencedoras. Não apenas por ocuparem posições de liderança, mas também por terem driblado as estatísticas. Em média, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil pelo fato de serem mulheres e 147 são estupradas. Elas são maioria na lista de desempregados, ganham 17% a menos do que os homens e, mesmo assim, se candidatam a menos vagas de trabalho por se sentirem incapazes – mais um efeito nefasto da cultura machista. Não fosse o bastante, o preconceito torna as dificuldades ainda maiores para mulheres negras, indígenas, LGBTQ+, imigrantes, cadeirantes, obesas, iletradas…

O dia 8 de março é um marco, por isso vamos aproveitar a data para contar histórias de mulheres que conseguiram vencer barreiras e conquistar seus sonhos. A ideia é que elas inspirem mais mulheres a ir atrás de seus objetivos, sejam eles ser presidente de empresas ou de países, abrir um negócio, sequenciar genomas de vírus, ajudar outras mulheres, passar no vestibular, ganhar um Nobel, ser dona de casa ou mãe.

Confira. 

Silvia Fazio, considerada pela Latinvex uma das “50 melhores advogadas da América Latina”, é presidente da Women in Leadership in Latin America (WILL), organização internacional sem fins lucrativos, com sede em São Paulo e conselhos consultivos em Nova Iorque, Miami, Washington, Bogotá e Londres. O objetivo da organização é apoiar e promover o desenvolvimento de carreira das mulheres na América Latina, reconhecendo suas habilidades e competências, além de estimular as empresas a implementarem programas relacionados com as mulheres e negócios. Entre suas integrantes, estão executivas da fabricantes Ambev, empresa de energia e logística Cosan, além dos bancos Itaú e Banco do Brasil. Conheça mais abaixo:

EXAME: Como vê a o fato de as mulheres ainda serem minorias nos cargos de liderança? Este cenário está mudando?

A mulher já foi minoria em todas as posições do mercado de trabalho. Hoje, ela ainda é minoria em cargos de liderança. Com mais mulheres em posições de liderança, conseguiremos criar um modelo inspirador para as futuras gerações e também criar um ambiente corporativo que entende e valoriza as caraterísticas femininas. O mercado de trabalho e o ambiente corporativo ainda são inspirados em um modelo que foi criado por homens e para homens. Precisamos mudar isso e criar um ambiente para a sociedade como um todo. Todos só têm a ganhar, especialmente a nossa economia.

EXAME: Em que sentido?

O levantamento “The future of women at work”, realizado pela consultoria McKinsey com base em 700 empresas de capital aberto em seis países da América Latina (Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Panamá e Argentina), mostra que um avanço mediano na igualdade de gênero nos setores privado, público e social poderia adicionar 12 trilhões de dólares à economia global até 2025.

EXAME: Por que decidiu fundar a WILL?

Um grupo de mulheres executivas latino-americanas que viviam em Londres e operavam nos mercados jurídico e financeiro começaram a se reunir espontaneamente para debater as barreiras visíveis e invisíveis que enfrentavam no seu dia a dia. Até que um dia, decidiram juntar esforços para criar um ambiente corporativo mais favorável para as mulheres e futuras gerações. Em 2013, formalizamos a existência da WILL como organização sem fins lucrativos aqui no Brasil. Desde então, temos crescido muito e ganhado apoio corporativo de peso.

EXAME: Como se interessou pela área em que atua (fusões e aquisições internacionais)?

Me interessei pela área de fusões e aquisições internacionais desde a universidade. Sempre tive um fascínio pela cultura de outros países e o direito sempre reflete muito a cultura de um país. Entender o direito corporativo internacionais é certamente entender um pouco do mundo global em que vivemos.

EXAME: A área em que você atua é formada majoritariamente por homens…

A área de direito de fusões e aquisições é ainda dominada por homens, ainda que isso tenha mudado radicalmente nos últimos cinco anos. Hoje, vejo mais mulheres entrando nesse mundo tão competitivo e agregando valor a esse mercado que é aparentemente rígido, mas que certamente precisa de toda a inteligência criativa e emocional que, muitas vezes, é oferecida em doses generosas pelas mulheres.

 

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