Negócios

Dona da Ricardo Eletro entrará em recuperação e deve ter novo dono

O acordo da varejista com os seus credores será fechado até o fim do mês. As dívidas do grupo chegam a 2,5 bilhões de reais

Ricardo Nunes: perto de acordo com o fundo Apollo (Pedro Motta)

Ricardo Nunes: perto de acordo com o fundo Apollo (Pedro Motta)

AJ

André Jankavski

Publicado em 3 de agosto de 2018 às 07h54.

Última atualização em 3 de agosto de 2018 às 22h43.

A varejista Máquina de Vendas, conhecida pela bandeira Ricardo Eletro, está próxima de anunciar a sua recuperação extrajudicial. Com dívidas de 2,5 bilhões de reais, a empresa deve fechar o acordo com os seus credores até o fim do mês, segundo EXAME apurou. Assim que confirmado o acordo com credores, a Máquina de Vendas deve receber um aporte de 500 milhões de reais do fundo americano Apollo, que se tornará controlador da empresa.

O acordo está sendo costurado pelo grupo de private equity Starboard e assessorado pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados. “As negociações indicam um bom caminho para o acordo”, diz um executivo com conhecimento do negócio. Procurada, a Máquina de Vendas não se manifestou. A Starboard e o escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados também não comentaram.

A escolha por uma recuperação extrajudicial foi feita para organizar as dívidas, especialmente com fornecedores, que somam 1 bilhão de reais. Os 1,5 bilhão de reais restantes estão sendo negociados diretamente com bancos. O valor aportado pelo fundo Apollo será feito por meio da empresa de private equity Starboard, que vem atuando na reestruturação da companhia. “Com esse valor, a Starboard virará controladora da Máquina de Vendas”, diz um executivo a par das negociações.

Pelo menos por enquanto, o controlador Ricardo Nunes seguirá no comando da varejista. Mas, segundo EXAME apurou, ele pode ser substituído ao longo do ano. Nunes é o maior acionista da Máquina de Vendas com 55%, seguido de Luiz Carlos Batista, antigo proprietário da varejista Insinuante, com 42%.

Com ou sem Nunes na presidência, o primeiro objetivo é arrumar a casa. No primeiro semestre, houve uma retração de 25% nas vendas, impactadas também pela crise econômica e pela greve dos caminhoneiros.

Apogeu e queda

A companhia teve um faturamento de 5,5 bilhões de reais no ano passado e cerca de 500 lojas espalhadas pelo Brasil. Esse número, no entanto, é bem menor do que de outros tempos. Desde 2015, a companhia fechou mais de 600 estabelecimentos.

Trata-se de um cenário jamais imaginado pelos sócios em 2010. Naquela época, as varejistas mineira Ricardo Eletro e baiana Insinuante se fundiram com redes outras redes regionais em Rondônia, em Pernambuco e Santa Catarina para sobreviver à consolidação que o setor passava com o surgimento de gigantes como a Via Varejo. O resultado foi uma empresa que faturava 10 bilhões de reais, forte presença no estado de Minas Gerais e no Nordeste.

A sinergia esperada para o negócio não deu resultado. Desde 2014, a empresa começou a apresentar prejuízos em seu balanço. Para tentar virar o jogo, a Máquina de Vendas chegou a recrutar o executivo Enéas Pestana, ex-CEO do Grupo Pão de Açúcar, para tocar o negócio. Não deu certo. Em 2016, o fundador Ricardo Nunes voltou ao cargo.

Desde então, a empresa tenta se equilibrar em suas dívidas. A empresa tem débitos de 1,5 bilhão com Itaú, Bradesco e Santander, além de 1 bilhão em dívidas com fornecedores de eletrônicos como Whirlpool, Samsung e LG. Por conta de atrasos nos pagamentos, a varejista deixou de receber produtos essenciais para uma varejista de eletrônicos como televisores e geladeiras.

A recuperação extrajudicial é uma renegociação das dívidas empresariais que ocorre fora das vias judiciais. Ou seja, um processo mais rápido e com menos embates entre credores e devedor do que a recuperação judicial. E, depois de todos esses anos, rapidez e paz é o que a Máquina de Vendas está mais precisando.

Acompanhe tudo sobre:DívidasDívidas empresariaisExame HojeMáquina de VendasRecuperações extrajudiciaisVarejo

Mais de Negócios

“Vamos investir 800 milhões de dólares para transição de veículos elétricos”, diz CEO global do Uber

Universidade aposta em software com IA para aumentar a segurança no campus

Sebrae promove evento gratuito sobre sustentabilidade para pequenos negócios. Inscreva-se

Os CEOS mais bem pagos em 2023 nos EUA

Mais na Exame