Negócios

Como o WhatsApp se tornou um app crucial para o comércio eletrônico

8 em 10 brasileiros usam o Whatsapp para comprar ou vender, segundo pesquisa realizada pela Accenture e obtida em primeira mão por EXAME

Whatsapp: Apesar dessas dificuldades de navegação, atendimento e pagamento, a ferramenta segue sendo usada no comércio eletrônico (Dado Ruvic/Reuters)

Whatsapp: Apesar dessas dificuldades de navegação, atendimento e pagamento, a ferramenta segue sendo usada no comércio eletrônico (Dado Ruvic/Reuters)

Karin Salomão

Karin Salomão

Publicado em 11 de agosto de 2020 às 10h00.

Última atualização em 12 de agosto de 2020 às 10h13.

Priorizar nos meus resultados Google

Para muitos brasileiros, o WhatAapp se tornou uma ferramenta indispensável na jornada de compras. 83% dos consumidores brasileiros utilizam a ferramenta de comunicação para comprar produtos e serviços, segundo pesquisa realizada pela consultoria Accenture e obtida em primeira mão por EXAME.

Na América Latina, o Brasil é um dos países que mais usa o aplicativo, se igualando apenas ao Chile se iguala, também com 83% dos consumidores utilizando o WhatsApp como ferramenta de compras. Em seguida vêm Peru (77%), Colômbia (74%), Argentina (71%) e México (53%). 

Como muitos varejistas ainda não estavam preparados para atender pelo meio digital, quando a pandemia do coronavírus chegou à região muitos correram para se adaptar e impedir os negócios de irem à falência - e o WhatsApp, amplamente usado para comunicação, foi a ferramenta escolhida por muitos. 

Embora grandes redes também usem a ferramenta, o alcance é maior entre os pequenos negócios: eles são 64% entre os que usam o WhatsApp como canal de vendas no comércio eletrônico, principalmente nas categorias de roupas, produtos de beleza e alimentos frescos ou perecíveis.

A jornada pode começar pelas redes sociais como Instagram ou Facebook, ou pode ser um vendedor conhecido que já tinha contato com o consumidor na loja física. Além disso, muitas empresas colocaram cartazes com o contato de Whatsapp em frente às lojas fechadas para manter as vendas.

A adoção do WhatsApp independe do gênero, idade ou classe social. 78% dos homens, e 89% das mulheres entrevistadas usam o app na jornada. A pesquisa apontou 85% de adoção da ferramenta na classe A, 87% na classe B e 79%, na classe C. 83% dos entrevistados entre 18 e 31 anos usam a ferramenta para compras, assim como 81% dos respondentes entre 44 e 55 anos e 74% das pessoas com 56 anos ou mais.

Obstáculos no atendimento 

Uma das dificuldades do WhatsApp é a experiência desigual. Como o WhatsApp não foi feito para vendas, é complicado organizar as informações: o catálogo pode vir por uma foto, arquivo de pdf ou link, mas é preciso perguntar se uma peça está em estoque, por exemplo.

"Muitas vezes, a conversa é com um vendedor, que pode responder na hora ou demorar para atender o consumidor", diz Costanza Gallo, líder de consultoria e estratégia em varejo da Accenture América Latina e responsável pela pesquisa. Em alguns casos, grandes varejistas optam por usar um robô de atendimento, com inteligência artificial, para escalar a ferramenta. 

Pagamento pelo WhatsApp

Outro obstáculo é a forma de pagamento. O WhatsApp, em parceria com a Cielo, havia lançado uma plataforma de pagamentos em junho, retirada do ar após decisão do Banco Central e do Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica. 

Transferência ou depósito, links de pagamento ou mesmo o envio da maquininha para pagamento na entrega são algumas das soluções encontradas por vendedores."Para pagar, o consumidor precisa sair da plataforma, o que pode diminuir a conversão de vendas, o link pode não funcionar, entre outras questões", diz a consultora. 

Apesar dessas dificuldades de navegação, atendimento e pagamento, a ferramenta segue sendo usada no comércio virtual. "Mesmo com esses problemas, que precisam de fato ser resolvidos, as pessoas estão usando o WhatsApp. Ao solucionar esses pontos de dor, enxergo que essas vendas tendem a crescer", diz Gallo. 

Acompanhe tudo sobre:e-commerceVarejoWhatsApp

Mais de Negócios

Prêmio para multifranqueados terá caderno na EXAME e viagem a Las Vegas; saiba como se inscrever

Alfredo Soares ajuda empreendedora que ficou sem salário após perder 70% das vendas

16 franquias baratas a partir de R$ 6.999 para abrir um negócio em 2026

Parque aquático de quase 50 anos fecha após prejuízos milionários