• AALR3 R$ 20,01 -0.30
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  • ABEV3 R$ 14,23 0.14
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Como as marcas de tênis estão se saindo na corrida pela sustentabilidade?

Na São Silvestre deste ano, os calçados dos atletas vão refletir os passos da indústria de artigos esportivos em busca de soluções para as mudanças climáticas
Corrida: gigantes do setor calçadista têm ampliado suas estratégias de sustentabilidade (Divulgação/Pixabay/Reprodução)
Corrida: gigantes do setor calçadista têm ampliado suas estratégias de sustentabilidade (Divulgação/Pixabay/Reprodução)
Por RedaçãoPublicado em 22/12/2021 10:01 | Última atualização em 22/12/2021 10:01Tempo de Leitura: 8 min de leitura

Depois da pausa em 2020, devido à pandemia, a tradicional corrida de São Silvestre volta a marcar o fim do ano. E não são só os rostos dos corredores, agora com máscaras, que estarão diferentes – os pés também. 

Boa parte dos tênis que desta vez vão calçar os corredores é resultado de uma revolução no seu processo produtivo, para que seja mais sustentável e com menos emissão de gases de efeito estufa (GEE). 

Da última prova, em 2019, para cá é notório o aumento da consciência sobre as mudanças climáticas e da mobilização global para conter o seu avanço, seja nos governos, na sociedade ou na área privada. E um dos movimentos relevantes nesse sentido vem da indústria de artigos esportivos.  

Gigantes do setor têm ampliado suas estratégias de sustentabilidade, com planos ambiciosos de redução de carbono que passam por desenvolvimento de novos materiais, novos processos e até um novo modelo de negócio, abrindo caminho para uma outra era no segmento. 

Nike: menos carbono por mais esporte

A americana Nike é uma delas, com a campanha Move to Zero, lançada em 2019. A iniciativa reúne ações rumo ao carbono zero e ao desperdício zero e é baseada na ideia de que proteger o planeta é também proteger o futuro do esporte. 

Nos EUA, segundo a empresa, o aumento da temperatura tem levado, em muitos estados, a práticas mais curtas, uso de menos equipamento e até cancelamentos de jogos. Se nada urgente for feito, o tempo gasto em campo poderá ser diminuído em até dois meses em partes da Louisiana, Texas e Mississippi até 2050.

“Para quem pratica esportes de neve, existe o perigo de perda literal do campo de jogo. O número médio de dias de snowboarding de qualidade em todo o mundo está 7% menor nos últimos 30 anos. Em 2050, esses dias podem diminuir de 11% a 22%”, informa a marca em comunicado.

Para responder a essas situações, até 2025 a Nike se comprometeu a reduzir as emissões de GEE nas suas instalações em 70%, por meio de eletricidade 100% renovável e eletrificação da frota; reciclar ou doar dez vezes mais resíduos pós-consumo com modelos de negócios circulares; diminuir 10% a geração de resíduos na fabricação, distribuição e embalagem; e ampliar o uso de materiais ecologicamente corretos para 50% em cada produto (o que evitaria meio milhão de toneladas de GEE).

Novos materiais

Atualmente, os materiais são responsáveis por 70% da pegada de carbono da companhia e o maior desafio para as metas de 2025. Por isso, a empresa vem investindo pesado em pesquisa e inovação de materiais. 

“Entendemos que não é preciso comprometer o desempenho para ter sustentabilidade. Isso não acontece da noite para o dia, no entanto”, ressalta o diretor de sustentabilidade da empresa, Noel Kinder.

“Pegue o poliéster reciclado – acho que a primeira vez que o usamos foi nas Olimpíadas de Sydney em 2000 em uma camiseta de corrida. Ela parecia um pouco áspera, não como uma peça de roupa de alto desempenho. Vinte anos depois, as roupas de poli reciclado da Nike têm aparência, toque e desempenho tão bons quanto qualquer coisa que fabricamos”, acrescenta.

Para a produção desse poliéster, a marca recicla cerca de um bilhão de garrafas plásticas por ano, transformando-as em fios para novas camisetas e parte dos tênis Nike Flyknit, um dos mais sustentáveis do portfólio. Só a produção desse modelo em 2019 evitou que 31 milhões de garrafas fossem parar em aterros.

Design circular

Outro ícone da iniciativa Move to Zero é a coleção Space Hippie, uma linha exploratória com design vanguardista feita a partir do lixo do chão de fábrica. 

Cada detalhe, desde a escolha do material até os métodos de fabricação e embalagem, foi escolhido avaliando qual seria o impacto ambiental. O resultado é o menor índice de pegada de carbono na história da companhia. 

Linha Space Hippie, da Nike, tem a menor pegada de carbono da marca (Nike/Divulgação)

Uma escolha simbólica importante foi levar os princípios do design circular também para o seu tênis de corrida de alto desempenho. O Air Zoom Alphafly Next Nature tem pelo menos 50% de material reciclado total por peso, tornando-se o passo mais ousado da Nike até agora na união de sustentabilidade e performance.

Os clássicos também fazem parte desse movimento: as solas do famoso Nike Air, por exemplo, desde 1994 contêm pelo menos 50% de resíduos de fabricação reciclados. Hoje, mais de 90% das sobras de materiais usados nesses solados de ar são reaproveitados em novos sistemas de amortecimento. 

Nike Air Zoom Alphafly Next Nature é o tênis sustentável de alto desempenho da Nike (Nike/Divulgação)

Para fechar o ciclo do produto, os programas Reuse-A-Shoe e Nike Grind pegam calçados que não podem ser vendidos e tênis usados (de qualquer marca) e os convertem em playgrounds, pistas de corrida e quadras. 

Adidas: feito para ser refeito

A Adidas é outra marca que está investindo forte no conceito de circularidade, com inovação na reciclagem de produtos e resíduos, especialmente de plástico. 

Uma recente empreitada da empresa alemã foi o lançamento da linha Made To Be Remade (feito para ser refeito), os primeiros produtos desenvolvidos com uma solução de fim de vida: em vez de irem para o lixo, podem ser devolvidos para serem transformados em algo novo.

A colaboração com a concorrente Allbirds é mais uma ruptura. O primeiro fruto dessa aliança foi o FUTURECRAFT.FOOTPRINT, um tênis de corrida com baixíssima pegada de carbono, de apenas 2,94 kg de carbono equivalente. 

Destaque para os materiais renováveis: a entressola, por exemplo, é feita de um composto à base de cana-de-açúcar e o revestimento da parte superior tem 70% de poliéster reciclado e 30% de Tencel natural, produzido com polpa de madeira. 

“É um lembrete importante de que podemos alcançar mais juntos do que separadamente, especialmente quando se trata da corrida contra as mudanças climáticas”, comentou Tim Brown, Co-Fundador e Co-CEO da Allbirds.

“Muito além de seu impacto para qualquer uma de nossas marcas, a esperança é que este produto possa inspirar outros na indústria a repensar a maneira como as coisas ‘sempre’ foram feitas."

O FUTURECRAFT.FOOTPRINT, da Adidas, tem apenas 2,94 kg de CO2e de pegada de carbono (Adidas/Divulgação)

 

Menos lixo plástico

Outro destaque é a parceria Adidas e a organização ambiental Parley for the Oceans, que trouxe como desafio utilizar resíduos coletados dos oceanos como matéria-prima. 

O primeiro tênis conceito dessa união foi, inclusive, apresentado na ONU em 2015, contendo fios produzidos com materiais recolhidos e reciclados, como plástico e redes de pesca ilegais. 

Desde então, a parceria desenvolve uma linha de calçados com Primeblue, material composto por pelo menos 50% de Parley Ocean Plastic, feito com resíduos reciclados, coletados em ilhas remotas, praias e comunidades costeiras, evitando que poluam os oceanos. No fim de 2020, mais de 30 milhões de pares de tênis com lixo plástico marinho foram fabricados.

Adidas Ultraboost 21, tênis de corrida de desempenho feito com Parley Ocean Plastic (Ultraboost/Divulgação)

Com essas e outras iniciativas, o objetivo da empresa é atingir a neutralidade de carbono em 2025 nas lojas próprias e em suas operações e, em 2050, também na rede de fornecedores. Já para 2024, a meta é substituir todo o poliéster virgem por poliéster reciclado.

ASICS: tênis feitos de roupas usadas

Em 2050, a ASICS também pretende zerar suas emissões líquidas de CO2. Até o fim desta década, se comprometeu a reduzir suas emissões em 63% em relação a 2015, chegar a 100% de fontes renováveis de energia em suas unidades de negócios e substituir totalmente o poliéster padrão nos calçados pela opção reciclada. 

Em 2020, a fabricante japonesa já conseguiu reduzir 25% das emissões nas operações diretas e 30,8% na cadeia de suprimentos. E, em 2021, 95% dos tênis de corrida produzidos contêm material reciclado. 

No portfólio, um dos destaques é a coleção Earth Day Pack, com a menor pegada ambiental da ASICS. A linha é composta por uma variedade de roupas e tênis fabricados a partir da reciclagem de 5 toneladas de resíduos têxteis, o equivalente a 25.000 camisetas.

A linha ASICS Sunrise Reborn Pack foi feita a partir de roupas de segunda mão (Asics/Divulgação)

O forro foi ainda desenvolvido com uma tecnologia chamada tingimento por solução, que economiza recursos: diminui as emissões de carbono em 45% e reduz o uso de água em torno de 33% em comparação com os processos convencionais de tingimento.

Essa tecnologia de reciclagem de descartes de tecido foi lançada no início do ano, na edição limitada dos tênis de corrida da linha Sunrise Reborn Pack. Os produtos foram feitos com roupas usadas, coletadas no Japão. 

“Diz-se que apenas 1% dos resíduos têxteis do mundo são reciclados, enquanto mais de 70% das roupas vão para aterros ou incineradores. Ao continuar a inovar o processo de fabricação em todas as nossas categorias de produtos, podemos ajudar a construir uma economia circular e mitigar o impacto das mudanças climáticas”, declarou Yasuhito Hirota, presidente e COO da ASICS.

As iniciativas da companhia para tornar sua cadeia mais sustentável incluem também o desenvolvimento de novas embalagens. A marca criou uma caixa feita de papel 100% reciclado e tinta à base de água, utilizando 10% menos papel e 50% menos tinta, o que gerou uma redução total nas emissões de CO2 de aproximadamente 1.200 tonners por ano.