Braskem divulga resultados em meio a pessimismo e projeção de prejuízos

Analistas estimam um prejuízo de 1 bilhão de reais para o exercício de 2019 e outros 400 milhões para 2020

Enquanto as economias ao redor do mundo enfrentam os impactos devastadores do coronavírus, parte dos investidores no Brasil estará atenta nesta quinta-feira, 18, ao balanço financeiro da petroquímica Braskem, a ser divulgado após o fechamento do mercado. O consenso entre analistas é que o grupo apresente um prejuízo de 1 bilhão de reais para o consolidado de 2019.

A Braskem vive um poço de incertezas. Rachaduras em bairros inteiros da capital alagoana, Maceió, foram atribuídas à atividade minerária da companhia, o que levou ao fechamento da mina de sal-gema na região. O grupo tenta provar que não há ligação entre a operação e as fissuras. O fato é que, com o encerramento da unidade, a empresa aumentou os custos com importações.

O problema se soma à lenta recuperação do mercado no período e ao processo conturbado de recuperação judicial de seu controlador, a Odebrecht.

Para 2019, analistas projetam receita líquida da companhia em 52 bilhões de reais, queda de 11% sobre o ano anterior. Na última linha do balanço, a empresa deve apresentar um prejuízo superior a um bilhão de reais, ante lucro líquido de 2,87 bilhões em 2018.

Boa parte do desempenho negativo se deve a provisões referentes a acordos firmados com famílias atingidas pelas rachaduras na capital alagoana. Em janeiro deste ano, as ações da Braskem subiram depois que a empresa conseguiu firmar um acordo com a Justiça alagoana para realocar 17.000 famílias na região, ao custo de 1,7 bilhão de reais.

Para 2020, sobra pessimismo para a gigante petroquímica. Além da queda da demanda projetada para o período, os impactos provenientes de Alagoas continuam incertos. “O cenário se deteriorou de forma brutal. Nem todo o ônus de ressarcimento à população pode ter acabado”, afirma Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Corretora.

A Braskem faz ainda parte de uma lista de ativos que o grupo Odebrecht tenta vender para reorganizar as dívidas e focar apenas em seu negócio de construção civil — hoje rebatizado para OEC, sigla para Odebrecht Engenharia e Construção, após crise de reputação gerada pela Operação Lava-Jato. Na quarta-feira, 18, a EXAME informou que a Odebrecht conseguiu negociar com os bancos credores o pagamento de uma dívida de mais de 50 bilhões de reais. A venda da Braskem e de outros ativos será essencial para que a Odebrecht consiga honrar os compromissos com seus mais de 500 credores.

Assim, a Braskem deve ser ainda envolvida nos novos capítulos da novela da recuperação judicial da Odebrecht. Enquanto isso, analistas projetam um novo prejuízo para a empresa em 2020, de 400 milhões de reais, o que certamente não ajuda nos esforços de venda da empresa. Se a crise do coronavírus se aprofundar ainda mais, o cenário pode ser ainda mais prejudicial para a companhia.

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