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Boeing e Embraer se aproximam de acordo para aeronaves comerciais

As duas fabricantes ajustaram seu projeto, anunciado há pouco mais de um mês, para conseguir autorização das autoridades brasileiras

Embraer: linhas gerais do acordo preveem que a Boeing detenha de 80% a 90% do controle acionário desta nova empresa (Roosevelt Cassio/Reuters)

Embraer: linhas gerais do acordo preveem que a Boeing detenha de 80% a 90% do controle acionário desta nova empresa (Roosevelt Cassio/Reuters)

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AFP

Publicado em 6 de fevereiro de 2018 às 17h22.

A fabricante de aviões americana Boeing e a brasileira Embraer estão perto de chegar a um acordo para criar uma nova empresa, que fabricará apenas os aviões comerciais da empresa nacional e na qual o governo terá voz, indicou nesta terça-feira (6) à AFP uma fonte próxima à negociação.

As duas fabricantes ajustaram seu projeto, anunciado há pouco mais de um mês, para conseguir autorização das autoridades brasileiras, preocupadas com um eventual controle da Boeing sobre as atividades militares da Embraer.

As linhas gerais do acordo preveem que a Boeing detenha de 80% a 90% do controle acionário desta nova empresa, cuja sede poderia ser em Chicago, como a companhia americana.

As operações militares da Embraer continuarão sob controle brasileiro, indicou a fonte, que pediu anonimato.

A Boeing apresentou suas propostas ao governo brasileiro, que manteria uma "golden share" ("ação de ouro"), ou seja, direito a veto sobre decisões estratégicas da nova companhia.

"As negociações avançam em boa direção", acrescentou a fonte, ao comentar que o governo brasileiro tinha gostado da proposta.

Contactada pela AFP, a Boeing preferiu não comentar o acordo. "Não temos informações, nem confirmação", disse um porta-voz da Embraer.

Às 15H20, a ação da Boeing em Wall Street subia 1,88%, e a da Embraer, 5,44%.

As ações do grupo nacional também avançaram 3,78% na Bovespa, enquanto o Ibovespa subiu 1,42%.

Recuperar terreno

"Sabemos que o governo brasileiro informou certos temores e trouxe perguntas que respeitamos. Estamos trabalhando nas opções possíveis", declarou no fim de janeiro o CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, durante a publicação dos resultados anuais. "Sou otimista sobre um possível acordo, mas ainda há trabalho a fazer", acrescentou.

Após o anúncio do início das negociações em dezembro, o governo brasileiro rapidamente indicou que estava decidido a manter seu poder de veto em nome da soberania nacional. Entretanto, a associação da Embraer com um grupo estrangeiro não foi recusada.

A Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, com faturamento anual de quase 6 bilhões de dólares e 16 mil funcionários, foi privatizada em 1994, mas o governo conservou a "golden share" para intervir em questões estratégicas.

A empresa tem uma gama de aviões civis e militares, bem como jatos executivos. Em seu importante setor de defesa, tem modelos como o A-29 Super Tucano para missões de ataque leve e treinamento avançado e o KC-390 de transporte tático e logístico de tropas e reabastecimento em voo, que deve chegar ao mercado neste ano.

Assumir o controle dos aviões comerciais da Embraer permitiria à Boeing acrescentar à sua carteira aeronaves com capacidade de até 150 assentos, recuperando terreno nos voos de meia distância em relação à fabricante europeia Airbus, que anunciou em meados de outubro uma associação estratégica com a canadense Bombardier nos aviões CSeries.

Em 2013, a Embraer lançou a família de aviões E-Jets E2, nova geração de aparatos cuja entrada em serviço é esperada para 2018. Eles são futuros concorrentes dos CSeries.

"Acreditamos que a Boeing se beneficiará muito entrando em um segmento do mercado de aviões comerciais, onde não está presente" (aviões com menos de 150 assentos), avaliou Jim Corridore, especialista da CFRA Research.

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