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Terror na ativa: Estado Islâmico sequestra centenas de pessoas na África

Ataque aconteceu na Nigéria, onde o grupo trabalha com afiliados; militantes também buscam recuperar território no Iraque e na Síria

Soldado iraquiano em operação de combate ao Estado Islâmico em junho deste ano; grupo tem lançado ataques para retomar o controle de territórios (Ali Makram Ghareeb/Getty Images)

Soldado iraquiano em operação de combate ao Estado Islâmico em junho deste ano; grupo tem lançado ataques para retomar o controle de territórios (Ali Makram Ghareeb/Getty Images)

CA

Carla Aranha

Publicado em 19 de agosto de 2020 às 12h26.

Apesar de ter sido militarmente derrotado em 2017 no Iraque, o grupo Estado Islâmico criou ramificações que continuam ativas – e mesmo no Oriente Médio, nunca parou de promover ataques. Aos poucos, o grupo conseguiu reagrupar algumas células terroristas e retomou em parte suas atividades. Nesta terça, dia 18, um dos afiliados do grupo na África, o Boko Haram, sequestrou centenas de pessoas na Nigéria, de acordo com relatos das autoridades locais.

As razões do ataque ainda não estão claras. O Boko Haram tem entrando em confronto com as forças de seguranças na Nigéria. O sequestro aconteceu na cidade de Kukawa, em uma região que era controlada pelo Boko Haram até alguns atrás.

Os militantes geralmente perseguem famílias e comunidades que não professam a região islâmica, além de soldados, membros do governo e autoridades locais. “O problema com esses grupos é que eles criam ramificações e conseguem se reagrupar em células terroristas, utilizando técnicas de guerrilha”, diz Dlawer Ala’Aldeen, fundador do Middle East Research Institute, que estuda políticas de segurança e estabilidade para a região.

Em novembro de 2018, centenas de pessoas tiveram que deixar suas casas depois de um ataque letal do Boko Haram em Kukawa. Muitas foram transferidas para campos de refugiados em locais próximos. Agora, elas se preparavam para voltar para a cidade, mas acabaram sendo interceptadas pelos militantes islâmicos.

Nesta quarta, 19, o governo enviou jatos das forças aéreas para monitorar a situação no local, segundo informações da agência AFP. O conflito com os jihadistas já dura mais de dez anos e deixou milhões de desabrigados.

A partir de 2018, o exército começou a cavar trincheiras ao redor das cidades mais atingidas pelos ataques e a colocar tropas para defender os moradores. A iniciativa, no entanto, não vem sendo tão bem-sucedida.

No Iraque, as forças armadas têm intensificado as operações de combate ao Estado Islâmico, que também está ativo na Síria. O grupo enfrentou perdas severas no Iraque, onde chegou a dominar um terço do território, depois de uma guerra de nove meses para desmontar sua estratégia de atuação no país e acabar com seus integrantes.

O Estado Islâmico tem lançado ataques principalmente nas proximidades da cidade de Kirkuk, no Iraque, onde há reservas de petróleo. Nos últimos meses, as forças de segurança iraquianas vêm conduzindo uma série de operações para combater o grupo. Na Síria, o Estado Islâmico vem promovendo ataques para retomar o controle de territórios -- entre 2014 e 2017, o grupo chegou a controlar dois terços da Síria e do Iraque.

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