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Tensão entre Milei e Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, se desdobra em crise diplomática

Sánchez acusa Milei de não estar 'à altura' e Milei debocha das 'lágrimas socialistas'

Tensão entre Milei e Sánchez se desdobra em crise diplomática (Juan Mabromata/AFP)

Tensão entre Milei e Sánchez se desdobra em crise diplomática (Juan Mabromata/AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 20 de maio de 2024 às 11h04.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, acusou o presidente argentino, Javier Milei, nesta segunda-feira, 20, de não estar "à altura" ao acusar a sua mulher de "corrupta", enquanto o presidente argentino ironizava sobre "a onda de lágrimas socialistas".

"Entre os governos, os afetos são livres, mas o respeito é irrenunciável, por isso pedimos ao atual presidente de Governo da República Argentina uma retificação pública", disse Sánchez em um encontro empresarial em Madri.

"A resposta do Governo da Espanha será de acordo com a dignidade que representa a democracia espanhola e os laços de irmandade que unem a Espanha e a Argentina", liderada agora "por um presidente que, infelizmente, não esteve à altura", acrescentou.

"Sou plenamente consciente de que quem falou ontem não o fez em nome do grande povo argentino", declarou Sánchez, após seu governo convocar o embaixador argentino em Madri para expressar seu protesto.

Entretanto, Milei anunciava seu retorno à Argentina após sua polêmica visita de três dias à Espanha, com uma mensagem no X: "voltou o leão, surfando em uma onda de lágrimas socialistas".

A ruptura é possível

Madri convocou, nesta segunda-feira, o embaixador argentino na Espanha e chegou a contemplar o rompimento das relações diplomáticas, em meio a uma crise aberta após semanas de troca de insultos e acusações.

Perguntado explicitamente sobre romper relações diplomáticas, o ministro espanhol de Relações Exteriores, José Manuel Albares, disse na rádio Cadena Ser que tal possibilidade é contemplada. "Se não houver um pedido público de desculpas, vamos fazer", declarou o chanceler espanhol.

Este episódio ocorre na primeira viagem de Milei à Espanha desde que assumiu em dezembro, visita em que não se encontrou com o rei Felipe VI nem com Sánchez, que apoiou o seu adversário Sergio Massa nas eleições.

"Fora de tom", "chocante"

O presidente da CEOE (Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, que tem grandes interesses na Argentina), Antonio Garamendi, criticou as declarações "fora de tom" de Milei.

"Rejeitamos profundamente" algumas declarações "fora de tom", que constituem um "ataque (...) sem sentido algum", disse Garamendi na Cadena Ser.

A Espanha é o segundo país que mais investe na Argentina, atrás apenas dos Estados Unidos, com um aporte superior a 15 bilhões de euros (83,8 bilhões de reais na cotação atual), segundo o Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX).

Esteban Gonzáles Pons, dirigente do principal partido da oposição, o conservador Partido Popular (PP), alertou que as empresas espanholas "não merecem que sua situação se veja comprometida pelo senso de honra que Pedro Sánchez tem com sua mulher", disse na rádio COPE.

No entanto, ao mesmo tempo, considerou a declaração de Milei como uma "intromissão" na política nacional e um espetáculo "chocante".

Que Madri se desculpe

Durante um discurso em uma reunião em Madri de líderes de extrema direita organizada pelo partido espanhol Vox, Milei se referiu a Begoña Gómez como uma "mulher corrupta".

Embora ele não tenha identificado Sánchez ou sua esposa pelo nome, a alusão do líder argentino ao período de reflexão que ele levou para decidir se renunciaria devido aos ataques à sua esposa permitiu que o casal fosse identificado.

"As elites globais não percebem o quão destrutivo pode ser implementar as ideias do socialismo (...), mesmo que você tenha a esposa corrupta, digamos, suja-se [sic] e tire cinco dias para pensar sobre isso", disse ele.

O Governo argentino, por outro lado, considerou que era Sánchez quem deveria pedir desculpas.
"Nenhum pedido de desculpas é necessário. Nenhuma desculpa. Pelo contrário, acredito que deveria haver vários pedidos de desculpas do governo espanhol pelas coisas que disseram sobre o presidente Milei", declarou o ministro do Interior argentino, Guillermo Francos, ao canal TN.

Francos fazia referência a pelo menos dois episódios recentes. Com Milei, já em Madri, na sexta-feira, 17, a número três do Governo de Sánchez, Yolanda Díaz, o acusou de disseminar "ódio", e, antes, o ministro de Transportes espanhol, Oscar Puente, sugeriu que Milei usava drogas antes de discursar.

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