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Os emergentes no Brexit

Hoje é mais uma oportunidade para a União Europeia avaliar a saúde financeira do bloco e do Reino Unido, o que deve fornecer pistas importantes sobre o desembarque britânico do bloco europeu. A Zona do Euro divulga sua produção industrial; o Reino Unido, a taxa de desemprego. Mas fica cada vez mais claro que o Brexit será […]

QUÊNIA: países menos desenvolvidos devem ser os principais afetados pelo Brexit / Brent Stirton / Getty Images

QUÊNIA: países menos desenvolvidos devem ser os principais afetados pelo Brexit / Brent Stirton / Getty Images

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Da Redação

Publicado em 13 de setembro de 2016 às 20h22.

Última atualização em 23 de junho de 2017 às 19h41.

Hoje é mais uma oportunidade para a União Europeia avaliar a saúde financeira do bloco e do Reino Unido, o que deve fornecer pistas importantes sobre o desembarque britânico do bloco europeu. A Zona do Euro divulga sua produção industrial; o Reino Unido, a taxa de desemprego. Mas fica cada vez mais claro que o Brexit será sentido muito longe da Europa. 

Isso porque o Reino Unido tem uma nova prioridade: firmar acordos bilaterais com os principais emergentes – entre eles o Brasil. De acordo com o relatório do Overseas Development Institute, principal instituição do Reino Unido para avaliação do desenvolvimento internacional e de questões humanitárias, o Brasil está cotado como favorito britânico para um acordo de livre comércio, o que geraria uma redução de 12% nas tarifas comerciais para as exportações do Reino Unido. China, Índia e Azerbaijão também estão na mira – e todas essas negociações bilaterais devem render mais de 6,5 bilhões de dólares por ano aos britânicos.

O problema das negociações com o Brasil é que o Reino Unido teria que negociar sob as regras do Mercosul, e incluir no bolo o restante do bloco. Em 2015, o país exportou 3,2 bilhões de dólares para o Brasil, valor equivalente a 76% do total de vendas para todo o Mercosul. 

Os países mais pobres que se beneficiavam dos acordos europeus, por sua vez, têm motivos para ficar apreensivos. Caso países como o Quênia tenham que começar a pagar mais taxas, o prejuízo pode chegar a 430 milhões de dólares ao ano. As exportações de países como Granada para o Reino Unido correspondem a 97% do total exportado para a União Europeia; na Jamaica, essa parcela é de 76%. Os britânicos agora têm liberdade para escolher com quem vão negociar e sob que condições. As contas de quem ganha, e quem perde, vão ficando cada vez mais claras. 

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