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Quem é María Corina Machado, a opositora liberal que busca destronar Maduro

Como deputada desafiou Chávez (1999-2013), cuja política econômica socialista incluía expropriações de empresas, prédios e propriedades

Com 56 anos e fama de ser contundente e sem medir as palavras, Machado conquistou a liderança da oposição ao vencer as primárias de domingo (AFP/AFP)

Com 56 anos e fama de ser contundente e sem medir as palavras, Machado conquistou a liderança da oposição ao vencer as primárias de domingo (AFP/AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 23 de outubro de 2023 às 10h02.

Última atualização em 23 de outubro de 2023 às 12h54.

"Expropriar é roubar": a frase evoca diretamente María Corina Machado, a opositora irreverente que há uma década desafiou um intocável Hugo Chávez e venceu as primárias de domingo da oposição venezuelana.

Ela era deputada quando ousou desafiar Chávez (1999-2013), cuja política econômica socialista incluía expropriações de empresas, prédios e propriedades. Com estas palavras, catapultou o desprezo ao chavismo e acabou conquistando os opositores mais radicais.

Com 56 anos e fama de ser contundente e sem medir as palavras, Machado conquistou a liderança da oposição ao vencer as primárias de domingo, com a promessa de acabar com o socialismo que está no poder e impor um país liberal.

Mas sua vitória não se traduz necessariamente em uma candidatura contra o presidente Nicolás Maduro, que busca a reeleição, já que María Corino é objeto de uma pena de inabilitação política de 15 anos, condenação que ela não reconhece.

"Essa luta é até o fim!", repete como um mantra que permeia seus apoiadores, convencidos de que ela conseguirá reverter a sanção, participar das eleições do próximo ano e tomar o poder.

"Ela ficou com o monopólio de uma oferta alternativa diferente da oposição clássica", explica à AFP Luis Vicente León, diretor da empresa de pesquisas Datanálisis, que destaca uma imagem de "coerência e consistência" para os opositores, cansados dos fracassos acumulados na oposição tradicional.

María com ira

Diosdado Cabello, considerado o número dois do chavismo, a chama de "María com ira" e "La sayona", uma animal do folclore venezuelano que, como Machado, tem pele branca e cabelos lisos e pretos.

Cabello sempre recorda sua desabilitação, anunciada quando sua popularidade começou a disparar visando as eleições presidenciais de 2024. A sanção, que inicialmente era de 12 meses e expirou em 2016, foi prorrogada para 15 anos em 30 de junho.

"Nunca recebi uma única notificação", diz Machado, que descarta contestar a sanção na Justiça. "Se não há crime, não há procedimento e não há decisão, do que vou recorrer?".

As inabilitações estão na agenda do diálogo entre o governo e a oposição, que ela critica por considerar que busca apenas a convivência com o governo.

Para a opositora, a única coisa que precisa ser negociada é a "saída" de Maduro, embora tenha moderado o discurso nos últimos meses.

"Ela é uma mulher firme, corajosa, com um caráter muito sólido, mas muito gentil", afirma a secretária política do seu partido Vente Venezuela, Dinorah Hernández.

"Águia não caça moscas"

Machado percorre o país de carro porque as autoridades a impedem de viajar de avião. Quando seu carro é parado em postos policiais ou militares, o que acontece com frequência, ela aproveita para prometer um país melhor aos soldados.

Com a recuperação econômica, ela faz a promessa de reencontro familiar, após a migração de mais de 7 milhões de venezuelanos que fugiram da crise.

É uma realidade que a afeta diretamente, já que os seus filhos, que a acompanharam no voto neste domingo, também vivem no exterior e ela está proibida de sair do país. Muitas vezes, uma videochamada é a única forma de comunicação.

Seu início na política aconteceu em 2002, quando criou a 'Súmate', organização que estimulou um referendo para destituir Chávez. Ela foi eleita deputada do Parlamento em 2010, mas foi destituída em 2014 por participar como "embaixadora alternativa" do Panamá em uma reunião da OEA, na qual denunciou supostas violações dos direitos humanos durante os protestos daquele ano que pediam a "saída" de Maduro e que deixaram 40 mortos. Foi então acusada de promover a violência.

A vitória de domingo a leva de volta ao 13 de janeiro de 2012, quando enfrentou Chávez. "Sugiro que você ganhe as primárias, porque está fora do ranking para debater comigo", disse-lhe o presidente. "Águia não caça moscas".

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