Por que muitos países asiáticos adotam cautela para vacinas

Governos de países como Japão, Austrália, Hong Kong e Coreia do Sul estão levando mais tempo para conceder aprovações regulatórias para vacinas

Os países que foram mais rápidos em estabelecer o distanciamento social e sistemas de rastreamento de contato mantiveram a Covid-19 sob controle, mas seus cidadãos agora estão atrás na corrida de vacinação para finalmente acabar com a pandemia que matou milhões de pessoas.

Governos de países como Japão, Austrália, Hong Kong e Coreia do Sul estão levando mais tempo para conceder aprovações regulatórias para vacinas, em total contraste com países ocidentais que se apressaram em inocular as populações.

Essa abordagem cautelosa pode parecer estranha, dada a urgência de retomar a vida normal, mas, com as baixas taxas de infecção, governos asiáticos podem esperar para observar como as iniciativas de vacinação sem precedentes evoluem em outros lugares. Ainda assim, a estratégia pode deixá-los em desvantagem econômica em relação a países que falharam no controle, mas aceleraram a vacinação.

Na Nova Zelândia, que ocupa o primeiro lugar no ranking de resiliência da Covid da Bloomberg com as principais economias que melhor combateram a pandemia, o principal partido da oposição pediu que a primeira-ministra Jacinda Ardern explicasse por que o país “ficou para trás em relação ao resto do mundo com o programa de vacinas”. Na Coreia do Sul, um editorial do jornal Hankyoreh afirmou: “não podemos pedir para sempre às pessoas que parem suas vidas e carreguem o fardo econômico”.

Mas autoridades defendem o ritmo como a abordagem mais segura. “Não é uma coisa ruim esperar e ver como os outros estão fazendo”, disse Lam Ching-choi, médico e membro do Conselho Executivo que aconselha a líder de Hong Kong. “Sou totalmente empático onde eles não têm esse luxo e precisam fazer isso da maneira mais rápida para matar a epidemia.”

Hong Kong, atualmente com algumas dezenas de casos de Covid-19 por dia e com um total de 161 mortes desde o início da pandemia, ainda não aprovou nenhuma vacina, pois aguarda dados de ensaios clínicos mais detalhados antes de uma campanha de vacinação planejada para começar em fevereiro.

A Austrália, que fechou sua fronteira para não residentes quando a pandemia começou e decreta rígidos lockdowns quando surgem casos, espera aprovar a vacina desenvolvida pela Pfizer e BioNTech até o final de janeiro e o imunizante da AstraZeneca no próximo mês, com a vacinação também com início em fevereiro.

Em contraste, EUA e Reino Unido já administraram quase 14 milhões de vacinas no total após aprovações aceleradas no mês passado, enquanto Israel administrou 2 milhões de doses, ou 22 vacinas a cada 100 pessoas.

Confiança

Outra razão para agir mais devagar do que os desesperados países ocidentais é que os asiáticos não querem que uma vacinação com falhas mine a confiança do público nas vacinas, potencialmente colocando em risco a capacidade de inocular uma porcentagem suficiente da população para a imunidade de rebanho.

Isso é particularmente importante entre as populações asiáticas, onde a confiança nas vacinas já é baixa. Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial-Ipsos sobre atitudes globais para vacinas contra a Covid-19 revelou que a porcentagem de entrevistados que concordaram em tomar uma vacina caiu até 9 pontos percentuais de outubro a dezembro em países como Coreia do Sul e Japão, que agora registra um número recorde de novos casos e deve iniciar a vacinação no final de fevereiro.

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