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O KnessetParlamento israelense — votou nesta quarta-feira a favor da decisão do governo de rejeitar qualquer reconhecimento "unilateral" de um Estado Palestino.

A votação simbólica defende que o êxito de qualquer acordo com os palestinos deve ocorrer através de negociações diretas entre as partes e não através de ditames internacionais. Dos 120 legisladores, 99 foram favoráveis à decisão.

A medida foi formalizada no domingo, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu levou a “decisão declaratória” à votação no seu gabinete, que foi aprovada com unanimidade, segundo um comunicado.

“Um acordo, se for alcançado, ocorrerá exclusivamente através de negociações diretas entre as partes, sem condições prévias”, afirmou o documento. Críticos apontam que essa posição de fato dá ao Estado judeu um direito de veto unilateral à criação de um Estado palestino, informou o The Guardian.

"Não me lembro de muitas votações em que o Knesset votou com uma maioria de 99 em 120", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmando que o resultado desta quarta-feira "envia uma mensagem clara à comunidade internacional."

A votação ocorreu poucos dias após o Washington Post informar que os Estados Unidos e um pequeno grupo de parceiros no Oriente Médio estavam finalizando um plano de paz entre os dois povos. Além de um cessar-fogo de "pelo menos seis semanas" e a libertação dos reféns feitos pelo Hamas no ataque em 7 de outubro, o plano também estabelece um calendário para o estabelecimento e reconhecimento de um Estado Palestino, segundo o jornal.

Dois dias depois, o premier rejeitou qualquer reconhecimento internacional de um novo Estado, afirmando que a iniciativa “ofereceria uma enorme recompensa ao terrorismo”. A alegação foi endossada em seu texto de comemoração à aprovação da medida no Knesset. “Não recompensaremos o terrorismo através do reconhecimento unilateral em resposta ao massacre em 7 de outubro”, escreveu Netanyahu nesta quarta.

O líder da oposição, Yair Lapid, votou a favor da resolução. Ele disse aos legisladores que, apesar do seu apoio, não acredita que tenha ocorrido qualquer intenção dos EUA de reconhecer de maneira unilateral um Estado palestino, informou o jornal Times of Israel. Membro do gabinete de guerra e ex-minsitro da Defesa, Benny Gantz também apoiou a medida, afirmando, em entrevista coletiva citada pela imprensa local, que as declarações unilaterais são um incentivo ao terror.

O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP) criticou a aprovação do Knesset, acusando o Estado judeu de manter os direitos do seu povo reféns através de assentamentos ilegais onde os palestinos procuram estabelecer um Estado.

"O Ministério reafirma que a plena adesão do Estado da Palestina às Nações Unidas e o seu reconhecimento por outras nações não requer permissão de Netanyahu", afirmou a chancelaria palestina em um comunicado, citado pela agência catari al-Jazeera.

A pressão pelo retorno às tratativas para uma solução de dois Estados tem crescido internacionalmente, incluso o principal aliado do Estado judeu, os EUA. Washington tem defendido a criação de um Estado palestino como um cenário para o pós-guerra — o que é rechaçado por Netanyahu, cujo governo é o mais à direita e antiárabe da história de Israel. A solução voltou a ser defendida pelo governo americano nesta quarta-feira, desta vez pelo secretário de Estado americano, Antony Blinken, em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

A chamada solução de dois Estados é o projeto para a criação de um Estado palestino que coexista pacificamente com o israelense. A ideia toma como base as fronteiras estabelecidas antes do conflito de 1967: a Linha Verde, que delimita a Cisjordânia; a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como sua capital.

Novo acordo

Na mesma entrevista coletiva dada após a votação, Gantz afirmou que há "sinais preliminares que sugerem a possibilidade de avançar com um novo acordo de libertação dos reféns". A declaração sugere uma possível desobstrução das negociações, empacada desde um impasse gerado pela contraproposta do Hamas. Na terça-feira, o chefe do gabinete político do grupo, Ismail Haniyeh, desembarcou no Cairo para uma nova rodada de negociações, que não mostraram sinais de avanço, segundo o Haaretz.

O membro do gabinete de guerra salientou que se o novo acordo não for estabelecido até o Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos que terá início no próximo dia 10, o Exército israelense seguirá com sua incursão terrestre em Rafah, cidade no sul de Gaza. A região abriga a maior parte dos 1,7 milhão de palestinos deslocados, e mesmo seu principal aliado, os Estados Unidos, têm alertado sobre a operação.

A nova proposta foi discutida pela primeira vez em Paris entre autoridades israelenses, cataris, egípcias e americanas e teria sido organizada em etapas, originalmente suspendendo os combates por três meses a fim de permitir a troca de reféns e prisioneiros palestinos, bem como a entrada de ajuda humanitária em Gaza.

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