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Paládio: conheça o mineral que valorizou mais do que o ouro

A cotação do paládio teve uma valorização de mais de 675% entre 2016 e 2021, passando de cerca de US$ 400 para quase US$ 2,7 mil. Muito superior ao ouro.

 (Wikimedia Commons/Exame)

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Carlo Cauti

Publicado em 11 de abril de 2022, 19h28.

Última atualização em 11 de abril de 2022, 19h28.

Em momentos de tensão internacional, os investidores acabam procurando os famosos "bens refúgios" para se proteger, como o ouro ou títulos do tesouro dos Estados Unidos. Entretanto, existe um bem refúgio que nos últimos anos se valorizou muito mais do que o ouro: o paládio.

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Descoberto em 1803 pelo químico inglês William Wollaston, a cotação do paládio teve uma valorização de mais de 675% entre 2016 e 2021, passando de cerca de US$ 400 para quase US$ 2,7 mil.

Uma valorização muito maior do que a do ouro, que no mesmo período subiu "apenas" 230%, passando de US$ 800 para US$ 1,9 mil.

Somente entre outubro 2021 até abril de 2022, o paládio subiu mais de 50%.

Essa valorização está ligada não apenas a escassez do elemento, muito raro em natureza e ligado à platina, mas também ao fato que a Rússia, grande exportadora do mineral, vai interromper as vendas no exterior por causa das sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

Rússia grande produtora de paládio

A Rússia produz cerca de 40% do paládio do mundo , que é usado principalmente em conversores catalíticos automotivos.

A alta das cotações aumentou nos últimos dias depois que duas plantas estatais russas de produção de paládio, a JSC Krastsvermet e a Usina Prioksky, foram suspensas pelas Bolsas de Valores de Londres e Chicago, aumentando as preocupações sobre interrupções no fornecimento.

Também a Bolsa de Valores de Osaka, no Japão, está considerando bloquear empresas russas produtoras de paládio. Se isso ocorrer, os analistas esperam que a liquidez dos contratos futuros do mineral diminuam por um bom tempo.

Mas mesmo antes da guerra na Ucrânia, o fornecimento de paládio já estava sob pressão significativa, por causa da forte demanda do setor de veículos e preocupações de estoque.

A crescente atenção às questões climáticas por parte da opinião pública internacional já tinha elevado o preço do mineral.

Isso pois os motores que têm conversores que utilizam o paládio são menos poluentes.

Além disso, o mundo está cada vez menos comprando motores a diesel, mais poluentes,cujos conversores usam platina. E isso eleva ainda mais a cotação do paládio.

Não por acaso, mesmo com essa alta nos preços do paládio, os preços da platina continuam estagnantes há anos.

Paládio, raro e versátil

Além de ser raro, o paládio é excepcionalmente versátil.

Por isso sua procura é elevada, pois seu uso varia do setor de jóias até aplicações industriais.

Quase um destino já escrito para um metal que ganhou o nome da versátil deusa grega Pallas Athena, símbolo da inteligência e dos estudos, e padroeira da capital grega Atenas.

A produção global atualmente é de cerca de 200 toneladas por ano. Insuficiente para fazer frente a demanda mundial, muito mais alta.

Por isso, os preços não param de subir. E muitos fundos já estão se posicionando para tentar interceptar essa alta das cotações.

Não existem muitas alternativas válidas ao paládio na indústria. E qualquer material que consiga ter as mesmas características físicas e de eficiência vai demorar anos para ser desenvolvido.

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Por isso, tudo indica que essa “onda do paládio” vai continuar no futuro.