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Justiça italiana revê mudanças em cidadania que pode afetar brasileiros

Corte Constitucional da Itália se reuniu nessa terça, 9, para rever processos de cidadania por direito de sangue (ius sanguinius)

Cidadania italiana: revisão do Decreto Tajani pode resultar em passaportes mais acessíveis para descendentes de italianos (Nostrali/Divulgação)

Cidadania italiana: revisão do Decreto Tajani pode resultar em passaportes mais acessíveis para descendentes de italianos (Nostrali/Divulgação)

Publicado em 9 de junho de 2026 às 18h09.

Última atualização em 9 de junho de 2026 às 18h11.

A Corte Constitucional da Itália realizou nesta terça-feira, 9, uma audiência importante para o futuro das regras e cidadania italiana por descendência. Os magistrados analisaram ações que contestam as restrições impostas pelo chamado Decreto Tajani, norma que endureceu as regras para o reconhecimento da cidadania italiana pelo princípio do direito de sangue (ius sanguinis).

O decreto, que entrou em vigor em março de 2025, limita a concessão de cidadania aos descendentes de cidadãos italianos nativos que venham de uma linha de nacionalidade contínua e exige residência comprovada na Itália por pelo menos dois anos. Na maioria das análises, o direito é limitado exclusivamente a filhos e netos, com bisnetos e gerações além perdendo o acesso à cidadania. Antes, não havia limite de descendência.

As duas ações em análise são chamadas de Mantova e Campobasso, que questionam pontos do decreto. Caso ele seja considerado inconstitucional pela Corte, perderá a validade e as regras anteriores poderão ser retomadas, embora isso não vá ocorrer de forma automática.

A audiência sobre o tema foi concluída nesta terça, e a divulgação da sentença poderá levar dias ou semanas.

“Desta vez, os advogados tiveram a oportunidade de aprofundar pontos que não haviam sido discutidos anteriormente e contestar diretamente aspectos da legislação que restringiu o reconhecimento da cidadania italiana por descendência”, diz o advogado Fábio Gioppo, especialista em pedidos de cidadania italiana.

“Mesmo que a decisão não seja favorável, isso não significa o fim das possibilidades para os descendentes. Será necessário analisar cuidadosamente os fundamentos da sentença e compreender quais caminhos jurídicos permanecem disponíveis para o reconhecimento da cidadania”, afirma.

Entenda o ius sanguinis

O ius sanguinis foi historicamente um direito garantido a todos os descendentes de italianos desde a reunificação da Itália, que ocorreu em meados do século XIX, e foi reforçado na Reforma Constituinte Italiana de 1948, o que originou a atual Constituição do país.

Dessa forma, ao limitar o ius sanguinis, o Decreto Tajani é uma medida controversa e considerada inconstitucional por alguns tribunais. Em maio, a Corte di Cassazione, ou Corte de Cassação, reafirmou que o ius sanguinis é um direito absoluto e de relevância constitucional.

Entre os principais pontos em debate estão a eventual aplicação retroativa da legislação, especialmente para descendentes que alegam ter direito à cidadania desde o nascimento, a possibilidade de estabelecer um marco temporal para o reconhecimento do benefício e a definição de se a cidadania por ascendência é um direito automático ou depende de validação formal pelo Estado italiano.

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