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Guerra na Ucrânia: entenda por que o acordo de grãos foi quebrado e quais as exigências da Rússia

Assinado em julho de 2022 com a mediação da Turquia e da ONU, o acordo era alvo de questionamento de Moscou há alguns meses

Ucrânia segue com exportação de grãos  (Anadolu Agency/Getty Images)

Ucrânia segue com exportação de grãos (Anadolu Agency/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 17 de julho de 2023 às 12h26.

Última atualização em 17 de julho de 2023 às 17h22.

A Rússia anunciou nesta segunda-feira, 17, que não vai renovar o acordo de exportação de grãos com a Ucrânia. "O acordo do Mar Negro terminou de fato hoje", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à imprensa.

Assinado em julho de 2022 com a mediação da Turquia e da ONU, o acordo era alvo de questionamento de Moscou há alguns meses. O tratado, que permitiu a exportação de mais de 32 milhões de toneladas de cereais ucranianos, também inclui a retirada de obstáculos para as exportações de produtos agrícolas e fertilizantes russos.

O que a Rússia quer para seguir no acordo de grãos?

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou na última semana que os interesses de Moscou estavam sendo ignorados no acordo e que as exportações de alimentos não estava beneficiando países pobres. Entre as exigência de Moscou para seguir no acordo, está o pedido para que o banco estatal da Rússia, o Russian Agricultural Bank, retorne ao sistema de comunicações financeiras, o Swift.

Moscou quer o fim do bloqueio de contas bancárias de empresas russas ligadas à produção e ao transporte de alimentos e fertilizantes. O país também exige que acabe as restrições no acesso aos portos marítimos e o restabelecimento da conduta de amônio entre Tolyatti (Rússia) e Odessa. 

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse acreditar que Putin deseja "continuar com o acordo". "Acredito que, apesar da declaração de hoje, meu amigo Putin quer continuar com o acordo humanitário", declarou. Oficialmente, o pacto expira à meia-noite de segunda-feira no horário de Istambul.

Aliados da Ucrânia afirmam que o Kremlin utiliza o acordo como forma de chantagem. o chanceler da Holanda, Wopke Hoekstra, classificou como "totalmente imoral" a Rússia utilizar "alimentos como armas". A porta-voz do governo alemão, Christiane Hoffmann, disse que "o conflito não deve acontecer sobre as costas dos mais pobres do planeta".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou uma decisão "cínica" da Rússia.  "Condeno com veemência esta decisão cínica da Rússia de acabar com a Iniciativa dos Grãos do Mar Negro, apesar dos esforços das Nações Unidas e da Turquia. A UE se esforça para garantir a segurança alimentar das populações mais vulneráveis", afirmou.

ONU afirma que vê aumento no preço dos grãos

Apesar dos questionamentos russos, a ONU afirma que o acordo atendeu os dois países e reduziu os preços dos alimentos no mundo em mais de 20%. Dados da organização mostram que 45 países em três continentes receberam grãos. É esperado que a decisão provoque um aumento no preço dos grãos, como aconteceu no início da guerra da Ucrânia.

Ataque em ponte na Crimeia

Antes do anúncio, um ataque de drones navais contra a ponte que liga a Rússia à península anexada da Crimeia, uma infraestrutura crucial para transportar suprimentos até os soldados russos na Ucrânia. Moscou afirma que a decisão não tem relação com o ataque, que classificou como terrorista.

"O ataque na ponte da Crimeia é uma operação especial do SBU [Serviço de Segurança da Ucrânia] e da Marinha", disse uma fonte do próprio SBU à AFP. As autoridades russas anunciaram que um casal morreu no ataque e sua filha ficou ferida.

A ponte de Kerch já havia sofrido danos em outubro de 2022, em um atentado que Moscou atribuiu à Ucrânia. Kiev negou estar por trás do ataque.

As autoridades locais informaram que o tráfego foi interrompido na ponte e recomendaram aos russos que viajam à península, anexada por Moscou em 2014, que transitem pelos territórios ucranianos ocupados.

Com Agência AFP.

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