Repórter
Publicado em 18 de março de 2026 às 11h04.
Os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre Cuba para que o país adote reformas de livre mercado, enquanto a ilha tenta se recuperar de um apagão nacional que atingiu todo o território.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que as medidas anunciadas por Havana — como a liberação de investimentos da diáspora em setores como bancos, agricultura e infraestrutura — não são suficientes. Segundo ele, as mudanças “não vão resolver as coisas”.
A declaração foi feita na Casa Branca, ao lado do presidente Donald Trump.
O Departamento de Estado americano afirmou que a população cubana enfrenta dificuldades com serviços básicos e cobrou respeito a direitos fundamentais. Em resposta, o governo de Cuba acusou Washington de manter uma “guerra econômica implacável”, que limita o acesso do país a financiamento, mercados e combustíveis.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, criticou as sanções e afirmou que os Estados Unidos usam a situação econômica como pretexto para ameaças e pressõespolíticas.
A representante diplomática cubana em Washington, Tanieris Diéguez, disse que há diálogo entre os países, mas rejeitou qualquer شرطição que envolva mudanças no sistema político da ilha.
Em meio à tensão, Cuba conseguiu restabelecer o sistema elétrico após um apagão generalizado registrado na segunda-feira. Apesar da normalização parcial, o país ainda enfrenta cortes programados devido à baixa capacidade de geração.
A rede elétrica cubana depende de usinas termelétricas antigas, muitas com mais de 40 anos de operação, que apresentam falhas frequentes.
Com cerca de 9,6 milhões de habitantes, o país já registrou seis apagões nacionais em menos de um ano e meio, reflexo da crise energética e da escassez de combustíveis.
A situação econômica se agravou após o governo Trump interromper, em janeiro, o envio de petróleo da Venezuela, principal fornecedora de Cuba.
A medida levou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar ações de emergência, como racionamento de combustíveis, suspensão de venda de diesel e redução de serviços públicos.
Trump também voltou a elevar o tom ao afirmar que pretende “tomar Cuba”, enquanto, segundo o jornal The New York Times, Washington pressiona por mudanças no comando político da ilha — informação negada por Rubio.
*Com EFE