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Governo já sabia desde 2007 do risco de apagão neste ano

Região Sudeste, em especial São Paulo, é a mais propensa a sofrer blecautes

Edison Lobão, ministro de Minas e Energia: criticado pela revista The Economist (Elza Fiúza/AGÊNCIA BRASIL)
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Da Redação

Publicado em 18 de fevereiro de 2011 às 10h48.

São Paulo - Desde 2007, o Ministério de Minas e Energia tinha conhecimento de que este ano poderia alcançar um índice de saturação no sistema de energia brasileiro, expondo-o a riscos de apagões. Os dados sobre a vulnerabilidade do sistema foram compiladas em um estudo formatado pelo próprio ministério, de acordo com reportagem publicada na edição desta sexta-feira do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo o levantamento, a região Sudeste é a mais propensa a apresentar falhas, por causa da escassez de subestações, e São Paulo, a cidade mais vulnerável - na tarde do último dia 8, uma falha no transmador de uma subestação provocou um apagão de 29 minutos na capital paulista.

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De acordo com o relatório do próprio ministério, a situação no sistema brasileiro de energia deverá melhorar apenas a partir de 2012. O levantamento leva em conta a entrega no prazo de várias subestações e a entrada em operação do sistema  de transmissão de energia baseado no Rio Madeira. Muitas dessas obras, no entanto, sofreram atrasos, alterando sensivelmente o cronograma no qual o relatório se baseava.

Repercussão internacional

Os recorrentes cortes no fornecimento de energia no Brasil já viraram tema de reportagem da revista inglesa The Economist. Em sua última edição, a publicação traz reportagem irônica sobre a reação do ministro Edison Lobão aos cortes de energia que deixaram no escuro sete estados do Nordeste no dia 4 de fevereiro e 2,5 milhões de pessoas em São Paulo no dia 8.

A reportagem traz o título Don´t mention de B-word. O "B" se refere a "blackout", apagão em inglês, e uma tradução livre do título poderia "Não diga a palavra que começa com A".

Segundo a revista, Lobão está guardando o termo para momentos mais graves. E afirma que os brasileiros devem começar a se acostumar às ‘interrupções temporárias’ todas as vezes que ligarem os aparelhos de ar-condicionado. Segundo a revista, o país teve 91 blecautes de grandes proporções em 2010, contra 48 em 2008, e as pequenas interrupções temporárias estão se tornando rotina em cidades de médio porte.

Para fundamentar a afirmação de que o país está prestes a enfrentar um racionamento, a publicação lembra que a demanda por energia cresceu 7,8% no último ano. E que os estudos do próprio governo apontam para um crescimento médio de 5% da demanda nos próximos anos.

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