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Ex-embaixador dos EUA é condenado a 15 anos de prisão por espionar para Cuba

Victor Manuel Rocha, que serviu na Embaixada dos EUA em La Paz, deverá pagar também uma multa de US$ 500 mil

Cuba: ex-embaixador declarou-se inicialmente culpado de coletar informações de inteligência para o governo comunista (AWelshLad/Getty Images)

Cuba: ex-embaixador declarou-se inicialmente culpado de coletar informações de inteligência para o governo comunista (AWelshLad/Getty Images)

Agência o Globo
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Publicado em 12 de abril de 2024 às 20h39.

Victor Manuel Rocha, ex-embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, foi condenado nesta sexta-feira a 15 anos de prisão por agir como agente secreto de Cuba por quatro décadas, em uma audiência realizada em um tribunal federal de Miami, na Flórida.

"O tribunal vai sentenciá-lo à pena máxima permitida por lei", declarou a juíza Beth Bloom, antes de anunciar a sentença de prisão, à qual somou o pagamento de uma multa de US$ 500 mil.

Rocha, de 73 anos, compareceu à tarde perante a juíza Beth Bloom em uma audiência que durou três horas e meia.

O ex-diplomata, que fez um acordo de cooperação com o Ministério Público, declarou-se inicialmente culpado de coletar informações de inteligência para o governo comunista de Cuba desde cerca de 1981.

Após reconhecer esses fatos, a juíza Bloom o condenou. A polícia americana prendeu Rocha em Miami em dezembro e o acusou de agir como agente de um governo estrangeiro sem o consentimento prévio de sua administração.

Quem é Victor Manuel Rocha?

Em seus anos como informante, ele ocupou cargos importantes no Departamento de Estado, de onde teve acesso a informações confidenciais de alto nível e influenciou a política externa dos Estados Unidos.

Nascido na Colômbia e naturalizado americano, Rocha realizou "uma das infiltrações de maior alcance e duração no governo dos Estados Unidos por parte de um agente estrangeiro", disse em dezembro o procurador-geral Merrick B. Garland.

Entre 1999 e meados de 2002, foi embaixador em La Paz, onde causou grande polêmica ao ameaçar retirar a ajuda americana à guerra boliviana contra as drogas, se o esquerdista e ex-sindicalista Evo Morales ganhasse as eleições.

Segundo o Ministério Público, Rocha continuou espionando para Havana depois de deixar o Departamento de Estado em 2002, quando se tornou conselheiro do Comando Sul dos Estados Unidos, o órgão que coordena as forças armadas do país na América Latina, incluindo Cuba.

Agente secreto do FBI

O ex-diplomata admitiu ter trabalhado para Cuba durante "40 anos" em reuniões realizadas em 2022 e 2023 com um agente secreto do FBI, que se passava por um representante da Direção Geral de Inteligência da ilha.

Durante esses encontros, Rocha celebrou sua atividade como agente de inteligência cubana, que chamou de "meticulosa" e "muito disciplinada", e se referiu repetidamente aos Estados Unidos como "o inimigo" e seus contatos cubanos como "companheiros".

Numerosos casos de espionagem mancharam as relações entre os Estados Unidos e Cuba, inimigos desde a revolução comunista da ilha em 1959, durante a Guerra Fria. Em 2001, Ana Belén Montes, analista de inteligência militar, foi presa por espionagem após admitir que passou quase uma década coletando informações para Cuba.

A CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, fez várias tentativas de assassinar líderes cubanos após a fracassada invasão da Baía dos Porcos em 1961. As relações entre Washington e a ilha comunista, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, continuam tensas.

*Matéria produzida pela AFP e disponibilizada pela Agência O Globo

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