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Nesse sábado, 24, o partido Republicano realiza as primárias na Carolina do Sul. Por lá, ficará mais uma vez exposta a disputa entre o ex-presidente Donald Trump e a ex-governadora do estado Nikki Haley. Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra da Gauss Capital e professor da Universidade George Washington, analisa quatro aspectos cruciais deste confronto político.

1. O surpreendente histórico de Haley

Nikki Haley já demonstrou que pode surpreender, e em especial na Carolina do Sul. Em 2010, ela não estava entre os favoritos para vencer as eleições para o governo do estado norte-americano. "Mas saiu de 1% nas pesquisas para ganhar a eleição", diz Moura.

Na ocasião, foi essencial o apoio de Sarah Palin, que havia sido candidata a vice-presidente em 2008 pelo partido Republicano. "Ela tinha uma popularidade muito grande na base republicana e o apoio de Palin foi fundamental para que a candidatura de Haley decolasse no momento certo", afirma.

Em sua gestão, Haley teve uma avaliação boa -- acima da média dos governadores republicanos. "Isso obviamente a projetou no cenário nacional", diz.

2. A oposição interna a Trump

A projeção nacional de sua boa gestão levou Haley ao cargo de embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, via indicação do próprio ex-presidente Trump. "Ou seja, ela participou do governo de Donald Trump e hoje é do Partido Republicano", diz Moura. "Esse ponto é importante. Haley é a maior voz de oposição dentro do Partido Republicano à candidatura de Trump."

No entanto, enfrenta desafios significativos, segundo Moura, dado que a maioria dos eleitores republicanos continua a apoiar Trump. Sua crítica direta ao ex-presidente se intensificou após Trump questionar publicamente o paradeiro do marido de Haley, que serve no exército americano.

Apesar disso, o apoio político e popular de Trump na Carolina do Sul permanece robusto, complicando as ambições de Haley. Segundo pesquisas, três em quatro eleitores republicanos preferem Trump no estado amplamente republicano -- mesmo que ele dispute como uma ex-governadora.

Além dos próprios eleitores, o establishment político também tem endossado a candidatura de Trump.

3. A disparidade nas pesquisas - a ampla vantagem de Trump

Segundo Moura, com base em um agregador de pesquisas eleitorais que ele desenvolveu, as pesquisas indicam uma vantagem substancial para Trump, com uma diferença média de 30 pontos percentuais sobre Haley.

"É uma diferença substantiva. Do lado da campanha de Trump, eles consideram que é vergonhoso a Nikki Haley ter essa diferença no estado que ela governou. Segundo as pessoas com quem eu converso na campanha do trump, claramente ela já devia ter desistido", diz Moura. "É interessante dizer que há uma expectativa de diminuir essa vantagem, porém o discurso é muito humilde no sentido que é muito improvável."

De acordo com o professor, a campanha de Haley trabalha com um cenário otimista de fazer a diferença de votos cair no resultado final -- e que considerariam isso uma vitória. 

"Apesar de os eleitores independentes da Carolina do Sul poderem votar, assim como aconteceu em New Hampshire, a demografia da Carolina do Sul é muito mais conservadora do que em New Hampshire, o que favorece muito a Donald Trump", afirma. "Se Trump teve um desempenho muito forte em New Hampshire, na Carolina do Sul, como apontam as pesquisas e em função do histórico dos eleitores, é provável que o desempenho dele seja ainda melhor."

4. O futuro da campanha de Haley

Com base nesse cenário de que Trump sairá vencedor, a pergunta que fica é: Haley continua ou não na disputa dentro do partido Republicano?

Na terça-feira, 27, haverá as primárias de Michigan dos republicanos. O estado é especialmente importante por ser um swing state, isto é um estado onde a disputa está aberta para as eleições presidenciais.

"Trump também lidera as pesquisas o Michigan, que, como sempre repetimos no podcast, é um dos estados principais nessa disputa eleitoral

E ainda mais importante do que Michigan será a disputa na Super Terça, quando ocorrem diversas primárias dos dois partidos pelos EUA (veja o calendário das eleições abaixo).

"Independentemente do resultado da Carolina do Sul e de Michigan, Nikki Haley se cercou de um ambiente favorável para que ela vá até a Super Tuesday e dispute", avalia Moura. 

Ele lembra que há um movimento dentro do Partido Republicano, liderado por figuras como a ex-deputada Liz Cheney, pressionando por sua permanência na disputa, visando potencialmente capitalizar em qualquer revés legal ou público enfrentado por Trump.

"Existe uma pressão política para que a Nick Haley continue disputando para eventualmente disputar a vaga ou a vaga sobrar para ela", diz Moura, em referência às incertezas legais que cercam a campanha de Trump.

Em suma, enquanto Trump é franco favorito para vencer as primárias da Carolina do Sul, a resiliência e estratégia de Haley indicam uma batalha prolongada pelo coração do Partido Republicano.

Calendário das eleições americanas

O caminho para a Casa Branca

A EXAME e a Gauss Capital lançaram em janeiro o podcast “Eleições nos EUA - O Caminho para a Casa Branca”, que vai detalhar as principais etapas da corrida eleitoral americana e trazer pesquisas exclusivas em seis estados norte-americanos — exatamente os estados que devem decidir o resultado final.

O programa, que está disponível nos canais do YouTube e Spotify da EXAME, terá edições ao longo da campanha, perto das datas principais.

Ouça todos os episódios e fique por dentro do que importa nas eleições dos EUA.

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