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O governo do Príncipe Albert II de Mônaco regularmente favoreceu seus sobrinhos, Andrea e Pierre Casiraghi, com contratos lucrativos em sua cidade natal, segundo uma investigação da Bloomberg Businessweek publicada na última quinta-feira, 29. Membros da dinastia, que governa o pequeno país europeu há 700 anos, negam irregularidades.

Membros da família real negam qualquer irregularidade, mas hoje Mônaco se encontra no meio de uma profunda crise política após a demissão de um assessor de longa data do palácio, Claude Palmero, e uma investigação policial sobre os negócios dos sobrinhos. 

Negócios na terra… 

Segundo a investigação, os sobrinhos de Albert, Andrea e Pierre, tinham 25 e 21 anos, respectivamente, começaram uma empresa imobiliária. De acordo com o site do negócio dos Casiraghis, o governo concedeu à empresa "os projetos públicos mais importantes realizados no Principado de Mônaco". 

Nos primeiros anos, a companhia trabalhou em contratos no valor de pelo menos €55 milhões (US$60 milhões) para, entre outros projetos, reconstruir o clube de iates, ampliar o quebra-mar no Port de la Condamine, desenvolver habitação subsidiada para moradores locais.

Depois de ganharem contratos de obras públicas, o negócio dos Casiraghis fez a construção de um edifício de apartamentos de luxo a poucos passos do famoso Casino de Monte-Carlo. Na ocasião, Albert enviou um de seus assessores mais confiáveis, o contador Claude Palmero, para persuadir uma empresa de construção rival a abandonar um processo, de acordo com notas obtidas pela polícia e vistas pela Businessweek. 

Em troca da cooperação do rival, o príncipe pressionaria seu governo para olhar favoravelmente para aquela empreiteira no futuro. A administração de Mônaco então concedeu o projeto aos sobrinhos. 

Em outro acordo, que expandirá o tamanho de Mônaco ao tirar terra do mar, o príncipe estava preocupado com a participação de seus sobrinhos, segundo anotações do assessor. A mãe dos Casiraghis, a Princesa Caroline, apelou para seu irmão mais novo — e seus filhos acabaram com uma participação no empreendimento.

… E no ar

O governo de Mônaco também concedeu a uma empresa dos Casiraghis um contrato para operar uma rota exclusiva de helicóptero comercial para passageiros que viajam entre Mônaco e o aeroporto internacional mais próximo, na cidade francesa de Nice. Hoje esse acordo está sob investigação. A polícia coletou centenas de registros que mostram que um executivo da empresa dos Casiraghis se comunicou secretamente com um oficial de Mônaco cerca de um ano antes da rota ser aberta para licitações. 

Isso deu à empresa uma vantagem sobre seu concorrente, bem como detalhes específicos sobre o que seria necessário para vencer. Na tentativa de conter as repercussões, Albert enviou seu assessor, Palmero, para fazer uma oferta financeira à empresa perdedora. Seus representantes rejeitaram o dinheiro e apresentaram uma queixa criminal.

Velhos amigos, novos inimigos

Como um dos mais próximos assessores de Albert, Palmero cuidava das finanças da família real e foi encarregado pelo governante de intervir tanto na construção do prédio de apartamentos quanto nas negociações do helicóptero, mostram documentos.

No final de 2021, hackers divulgaram e-mails pertencentes a Palmero e outros, desencadeando uma série de grandes reportagens em Mônaco e na França. As mensagens pretendiam mostrar que Palmero e outros estavam usando suas posições para intervir em favor de desenvolvedores imobiliários, o que eles negaram.

O príncipe então demitiu Palmero — o que deu início a uma troca de acusações entre as duas partes. A família real disse que o contador manipulou suas finanças; ele está contestando sua demissão perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Palmero chamou as alegações da família real de "difamatórias, injustas e falsas".

Corrupção 

Além disso, a Força-Tarefa de Ação Financeira, um observador global, está examinando a ineficácia de Mônaco em investigar e processar crimes financeiros. Ela pode colocar o país na chamada lista cinza, de nações que merecem monitoramento intensificado, como Haiti, Síria e outras nações falidas. Isso afetaria os fluxos de capital para Mônaco e sujeitaria empresas e investidores lá a um escrutínio maior.

Um grupo separado de investigadores já encontrou lacunas significativas nas defesas de Mônaco contra lavagem de dinheiro, e o arcabouço do país para prevenir a corrupção está sob revisão. Por exemplo, o principado rejeitou mais da metade dos pedidos de extradição de governos estrangeiros, relataram os investigadores, o que colocou "obstáculos importantes e incomuns" quando outros países pediram ajuda para investigar casos relacionados a Mônaco.

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