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Chanceler da Rússia culpa Estados Unidos pela queda do helicóptero do presidente do Irã

Para Lavrov, as sanções americanas ao Teerã foram responsáveis pela situação da segurança aérea no país, que resultaram na morte de Ebrahim Raisi

Serguei Lavrov afirmou que os EUA têm culpa pela morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi (Contributor/Getty Images)

Serguei Lavrov afirmou que os EUA têm culpa pela morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi (Contributor/Getty Images)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 21 de maio de 2024 às 11h16.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira que os EUA têm culpa pela morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi, morto no domingo em um acidente de helicóptero. O chefe da diplomacia russa afirmou que as sanções americanas contra a nação persa são diretamente responsáveis pela situação da segurança da aviação no país — a aeronave que transportava Raisi não tinha peças de reposição há quase 40 anos.

"Ao implementar sanções que incluem a proibição do fornecimento de peças de serviço para produtos de aviação fabricados nos EUA, colocamos a vida das pessoas em risco", disse Lavrov, durante uma visita ao Cazaquistão. "Os americanos negam isto, mas a verdade é que outros países contra os quais os EUA anunciaram sanções não recebem peças sobressalentes para equipamentos fabricados lá, incluindo de aviação".

A queda do helicóptero que transportava Raisi, no domingo, levantou suspeitas sobre a idade do Bell 212 e as condições de manutenção da aeronave, que, segundo o governo iraniano, caiu por falhas técnicas em meio a péssimas condições metereológicas. O Modelo de asas rotativas foi fabricado pela empresa Bell, dos Estados Unidos, e a imprensa local especula que a aeronave não recebia peças sobressalentes para manutenção desde 1986.

Qual era o helicóptero do presidente do Irã?

O Bell 212 entrou em serviço em 1968, e na década seguinte o Irã comprou diversas unidades do equipamento, quando Xá Mohammad Reza Pahlavi comandava o país e ainda tinha relações próximas com os Estados Unidos. Mas, desde a Revolução Islâmica de 1979 — que derrubou a monarquia — e as sanções impostas pelos Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano, o país passou a enfrentar dificuldades para encontrar peças para helicópteros, caças e outros jatos com tecnologia dos EUA ainda em uso no país.

Algumas das aeronaves adquiridas no início da década de 1970, como os caças F-4 Phantom e F-14, são outros exemplos de modelos norte-americanos que ainda estão em serviço no Irã. Ao longo dos anos, a frota de máquinas fabricadas nos EUA foi diminuindo, enquanto o país criava estratégias para manter parte dos equipamentos.

Em 1986, teria ocorrido a última negociação secreta entre o Irã e os EUA, quando os países teriam trocado peças sobressalentes por reféns detidos por grupos apoiados pelo Irã no Líbano. Apesar disso, o país persa passou a contar com uma rede de contrabandistas, especialistas para fazer engenharia reversa nas máquinas e cópias feitas por indústrias chinesas.

Polícia da Espanha impediu importação de helicópteros

Em 2011, a Polícia da Espanha impediu a importação e confiscou nove helicópteros de transporte Bell e peças sobressalentes, e prendeu cinco empresários espanhóis suspeitos de tentar exportar ilegalmente os materiais apreendidos para o Irã.

Na época, o então ministro do Interior espanhol, Alfredo Perez Rubalcaba, disse que os helicópteros, cujos primeiros donos haviam sido Israel, eram destinados ao Irã e que estavam armazenados em galpões industriais em Barcelona e Madrid. A exportação dos helicópteros e peças sobressalentes, avaliados em US$ 140 milhões há 13 anos, era proibida pelas União Europeia após as sanções estabelecidas pelos EUA.

Conheça o modelo

O Bell 212 é a versão civil do helicóptero militar "UH-1N", segundo a Força Aérea americana, conhecido como "Twin Huey" e fabricado entre 1968 e 1978. Os UH-1N, bimotores, atuaram na Guerra do Vietnã, assim como o seu antecessor UH-1 Huey, monomotor —e que aparece em filmes como "Apocalypse Now" (1979) e "Rambo 2" (1985).

A Bell Helicopter anuncia a versão mais recente, o Subaru Bell 412, para uso policial, transporte médico, transporte de tropas, indústria de energia e combate a incêndios. De acordo com os documentos de certificação de tipo da Agência de Segurança da Aviação da União Europeia, pode transportar 15 pessoas, incluindo a tripulação.

As organizações não militares que pilotam o Bell 212 incluem a Guarda Costeira do Japão; agências de segurança e bombeiros nos Estados Unidos; a polícia nacional da Tailândia; e muitos outros. Não está claro quantos o governo do Irã opera, mas sua Força Aérea e Marinha têm um total de 10, de acordo com o diretório 2024 das Forças Aéreas Mundiais da FlightGlobal.

Como aconteceu o acidente que matou Ebrahim Raisi?

O helicóptero que transportava o presidente caiu em uma parte remota do país, e foi necessária uma grande operação de busca e resgate de 13 a 15 horas para finalizar o resgate, já que condições climáticas desfavoráveis, incluindo neblina espessa, frio severo e chuva dificultaram os trabalhos.

Quem era Ebrahim Raisi?

Acusado por muitos iranianos e ativistas de direitos humanos de ter um papel em execuções em massa de prisioneiros políticos nos anos de 1980, Raisi nasceu em 1960 em Mashad — segunda maior cidade do Irã, na região nordeste, e lar do santuário xiita mais sagrado do país — e perdeu o pai, que era clérigo, quando tinha apenas cinco anos.

Aos 15, Raisi, seguiu os passos do genitor e entrou em um seminário na cidade sagrada de Qom. Enquanto era estudante, participou de protestos contra o Xá apoiado pelo Ocidente, que acabou por ser deposto em 1979 na Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, depois da qual ingressou no Judiciário e ascendeu cedo a cargos importantes enquanto era treinado pelo aiatolá Ali Khamenei, que se tornou presidente do Irã em 1981.

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