Mundo

Argentina: Milei garante que vai manter universidades públicas e critica opositores

Universidades se declararam em emergência orçamentária depois que o governo prorrogou, este ano, o orçamento de 2023, embora a inflação ao ano tenha beirado os 290% em março

Argentina: universitários realizaram uma marcha universitária em pró da educação pública

Argentina: universitários realizaram uma marcha universitária em pró da educação pública

AFP
AFP

Agência de notícias

Publicado em 29 de abril de 2024 às 06h47.

O presidente da Argentina, Javier Milei, assegurou, neste domingo, 28, que vai manter as universidades públicas e criticou seus opositores, cinco dias depois de uma multitudinária marcha federal universitária, o maior protesto até agora contra as medidas de austeridade de seu governo.

Milei, um economista ultraliberal que assumiu a Presidência em dezembro com a promessa de baixar a inflação de três dígitos e sanear a economia, acusou seus opositores de "pegar uma causa nobre", como a defesa da educação gratuita, e "prostituí-la", e defendeu o rumo de sua administração em duas longas entrevistas.

"Nunca pensamos em fechar as universidades públicas, nunca pensamos em desfinanciá-las", disse Milei ao canal de televisão LN+, reiterando o que havia dito antes à rádio Rivadavia.

"Chama-se falácia do espantalho. Nossos opositores inventaram uma mentira e nos atacam a partir dessa mentira", afirmou.

E reforçou: "visto que os pagadores de impostos estão financiando as universidades públicas, exigimos que haja auditorias. Faz dez anos que não há auditorias. Quem é quem não quer ter o gasto auditado? O ladrão".

Marcha universitária na Argentina

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas na última terça-feira, 23, em Buenos Aires e nas principais cidades do país atendendo a uma convocação de estudantes, graduados e professores universitários, à qual aderiram sindicatos, partidos da oposição e cidadãos em geral.

As universidades se declararam em emergência orçamentária depois que o governo prorrogou, este ano, o orçamento de 2023, embora a inflação ao ano tenha beirado os 290% em março.

Diante das queixas, na semana passada Milei concedeu "aumentar em 70% os gastos de funcionamento em março e outros 70% em maio", além de uma quantia extraordinária para hospitais universitários, segundo informou o porta-voz presidencial.

Milei ressaltou, neste domingo, que a passeata foi realizada "apesar do repasse dos fundos". Foi "a reedição da campanha do medo de (Sergio) Massa", disse o presidente, em alusão a seu adversário nas últimas eleições.

Milei também denunciou a participação de "atores contratados" para dar testemunho contra o governo e considerou "muito minoritária" a presença de pessoas que votaram nele no segundo turno. A marcha "é politicamente uma grande derrota da oposição, é uma grande vitória da situação", assegurou.

Milei previu que a inflação mensal poderia cair abaixo de 10% em abril, e mostrou-se otimista sobre o futuro da Argentina, enquanto a pobreza assola metade da população e as medidas de ajuste incluem demissões de funcionários públicos, fechamento de dependências do governo, cortes de subsídios, aumento de tarifas públicas e congelamento de orçamentos.

"Depois de cem anos de destruição populista, empreendemos uma mudança de 180 graus (...) Vamos sair [disso] e vamos ficar bem", prometeu.

Acompanhe tudo sobre:ArgentinaJavier MileiFaculdades e universidadesEnsino superiorEnsino público

Mais de Mundo

União Europeia repreende sete países por desrespeito às regras financeiras do bloco

Argentina faz acordo com El Salvador para ter modelo de segurança acusado de violar direitos humanos

Acordo entre Rússia e Coreia do Norte prevê assistência mútua em caso de 'agressão', afirma Putin

Suécia faz acordo de defesa com EUA que possibilitará envio de armas nucleares

Mais na Exame