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Ao menos 32 crianças morreram em tragédia com 125 mortos no estádio da Indonésia

A tragédia na cidade oriental de Malang é a segunda pior em estádios registrados no mundo, atrás apenas do ocorrido no jogo entre Peru e Argentina, em Lima, em 1964

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O confronto aconteceu no jogo entre Arema e Persebaya, no Estádio Kanjuruhan, na cidade de Malang (JUNI KRISWANTO/Getty Images)

O confronto aconteceu no jogo entre Arema e Persebaya, no Estádio Kanjuruhan, na cidade de Malang (JUNI KRISWANTO/Getty Images)

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Agência O Globo

Publicado em 3 de outubro de 2022 às, 09h29.

Ao menos 32 crianças morreram no tumulto em um estádio da Indonésia, no qual morreram 125 pessoas, informou à AFP um funcionário do Ministério do Empoderamento das mulheres e da Proteção da Infância.

"De acordo com as últimas informações que recebemos, das 125 pessoas que morreram no acidente, 32 eram crianças, sendo a mais jovem um menino de três ou quatro anos", afirmou Nahar, que como muitos indonésios tem apenas um nome.

O confronto aconteceu no jogo entre Arema e Persebaya, no Estádio Kanjuruhan, na cidade de Malang. Há ainda cerca de 180 pessoas hospitalizadas. Após a batalha em campo, a liga nacional suspendeu a realização de jogos.

A tragédia na cidade oriental de Malang é a segunda pior em estádios registrados no mundo, atrás apenas do ocorrido no jogo entre Peru e Argentina, em Lima, em 1964. No caso da Índia, os torcedores do Arema FC invadiram o gramado do Estádio Karnjurhan depois de equipe ter perdido por 3 a 2 para o Persebaya Surabaya, a primeira derrota para o seu arquirrival em mais de duas décadas. A polícia tentou conter os torcedores e fazer com que eles voltassem às arquibancadas, disparando gás lacrimogêneo depois que dois policiais foram mortos.

Muitas das vítimas foram pisoteadas até a morte ou sufocadas, segundo as autoridades. O vice-governador da província de Java Oriental, Emil Dardak, informou à rede de televisão Kompas TV que o saldo é de 174 mortos. Vários sobreviventes descreveram como os espectadores em pânico se aglomeraram quando o gás lacrimogêneo foi disparado contra eles.

— Os policiais dispararam gás lacrimogêneo, e automaticamente as pessoas correram para sair, empurrando umas às outras, e isso causou muitas vítimas — disse Doni, um espectador de 43 anos que não quis revelar seu sobrenome, à AFP. — Nada estava acontecendo, não havia tumulto. Não sei qual foi o motivo, de repente eles atiraram gás lacrimogêneo em nós. Isso me chocou, eles não achavam que havia crianças e mulheres?

Um diretor do hospital disse à televisão local que um menino de cinco anos estava entre as vítimas. O presidente indonésio, Joko Widodo, ordenou neste domingo uma revisão da segurança nos estádios após a tragédia. Em uma mensagem televisionada, Widodo ordenou que o ministro do Esporte e Juventude, a polícia nacional e a associação local de futebol “realizassem uma avaliação completa das partidas de futebol e dos procedimentos de segurança”.

Imagens capturadas dentro do estádio durante a debandada mostraram grandes quantidades de gás lacrimogêneo e pessoas subindo cercas. Algumas delas carregavam espectadores feridos em meio ao caos.

Outras imagens divulgadas nas redes sociais mostram pessoas gritando obscenidades para os policiais, que se protegiam com escudos. O estádio tem capacidade para 42 mil pessoas e, segundo as autoridades, estava cheio. A polícia indicou que cerca de 3 mil pessoas invadiram o campo.

— Gostaria de enfatizar que [...] nem todos os participantes tiveram comportamento anárquico. Apenas cerca de 3 mil entraram em campo — disse o chefe de polícia da província de Java Oriental, Nico Afinta.

Liga suspensa

Veículos queimados, incluindo um caminhão da polícia, permaneceram do lado de fora do estádio na manhã de domingo. O ministro indonésio de Esportes e Juventude, Zainudin Amali, pediu desculpas pelo incidente e prometeu investigar as circunstâncias da debandada.

— Lamentamos este incidente [...]. É um incidente lamentável que prejudica o nosso futebol numa altura em que os adeptos podem ir ao estádio assistir aos jogos — disse à rede Kompas. — Avaliamos rigorosamente a organização da partida e a presença de torcedores. Vamos proibir novamente a presença de torcedores nas partidas? É isso que discutiremos.

A Federação Indonésia de Futebol (PSSI) suspendeu os jogos de futebol por uma semana, proibiu o Arema FC de sediar jogos em casa pelo resto da temporada e anunciou que enviará uma equipe de investigação a Malang para determinar as causas da tragédia.

— Lamentamos e pedimos desculpas às famílias das vítimas e a todas as partes pelo incidente — disse o presidente da PSSI, Mochamad Iriawan.

Da mesma forma, o presidente da Confederação Asiática de Futebol, Salman bin Ibrahim al Khalifa, disse estar “profundamente emocionado e triste ao ouvir notícias tão trágicas da Indonésia, um país que ama o futebol”. A Indonésia planeja sediar a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA em maio em seis estádios do país. O de Malang não está incluído no torneio.

A violência dos torcedores é um problema na Indonésia, onde rivalidades provocaram vários confrontos mortais. Alguns jogos ficam tão tensos que jogadores de grandes equipes precisam viajar para os jogos sob forte guarda.

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