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Acordo para cortar impostos entre Brasil e Alemanha deve sair este ano, diz CEO da VW

Empresários dizem que fim de bitributação aumentaria negócios e investimentos entre os dois países

Alexander Seitz, CEO da Volkswagen para a América do Sul (Divulgação)

Alexander Seitz, CEO da Volkswagen para a América do Sul (Divulgação)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 22 de abril de 2026 às 06h01.

Hanover - Um acordo para acabar com a bitributação entre Brasil e Alemanha deve ser fechado até o fim deste ano, avalia Alexander Seitz, CEO da Volkswagen para a América do Sul. O assunto é uma das principais demandas das empresas que atuam nos dois países.

"O presidente Lula e o chanceler Merz falaram claramente que vão direcionar os ministros de Fazenda para chegar finalmente a um acordo, porque tem negócio, tem um efeito multiplicador dos investimentos de importação e exportação. Faz todo o sentido", disse Seitz, em entrevista à EXAME.

"Vamos fazer a mesma coisa que fizemos com o tratado entre a Europa e o Mercosul. Esta discussão [sobre bitributação] faz aniversário em 2026, de 20 anos. Só nós vamos demorar 26 anos como no acordo com a Europa. O objetivo é, até o fim de ano, também fechar isso", afirmou ele, que também é presidente da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK).

"Os dois governos entenderam a importância do mercado financeiro, do mercado de produtos e entenderam que, nesta mudança política onde todo mundo só fala do unilateralismo, temos agora dois parceiros que acreditam na filosofia do multilateralismo e acreditam que isso vai facilitar os negócios", prosseguiu.

Leia a íntegra da entrevista: Golf GTI ficará mais barato com acordo UE-Mercosul, diz CEO da VW

Aumento de importações

O Brasil possui acordos para evitar a bitributação com diversos países, como França, Espanha e Portugal. Esse tipo de tratado reduz custos para as empresas, pois evita o pagamento da mesma taxa em dois países.

O presidente Lula, durante entrevista coletiva em Hannover, ao lado do chanceler alemão Friedich Merz

O presidente Lula, durante entrevista coletiva em Hannover, ao lado do chanceler alemão Friedich Merz (Odd Andersen/AFP)

A Alemanha firmou um tratado deste com o Brasil em 1976, mas ele expirou em 2005 e ainda não foi renovado. Havia a expectativa de que ele pudesse ser fechado durante a viagem do presidente Lula a Hannover, no começo desta semana, mas as discussões ainda não foram concluídas.

Um ponto sensível é que o acordo reduziria a arrecadação de impostos, um tema sensível nos dois países, pois ambos enfrentam desafios para conter o aumento do endividamento público. Além disso, a Alemanha tem aumentado gastos com defesa e investimentos para acelerar a economia, o que também pressiona a questão fiscal.

Um estudo da AHK aponta que um acordo para conter a bitributação aumentaria os investimentos diretos alemães no Brasil em 47%. As exportações brasileiras para a Alemanha cresceriam 19%, e as importações aumentariam 14%.

O levantamento avalia que o Brasil teria uma queda moderada de arrecadação nos primeiros 18 meses após o acordo, mas que o aumento do PIB e do emprego gerado pela mudança levaria a uma alta na arrecadação depois desse período.

*O repórter viajou a convite da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo.

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