Mercado Imobiliário

Mais de 40% dos lançamentos imobiliários têm até 40 metros quadrados

Levantamento da Housi mostra mudança no perfil dos lançamentos e avanço para novas regiões

Housi: studios e unidades de até 40 metros quadrados já concentram 41,1% das intenções de lançamento do setor. (Chunyip Wong/Getty Images)

Housi: studios e unidades de até 40 metros quadrados já concentram 41,1% das intenções de lançamento do setor. (Chunyip Wong/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 24 de março de 2026 às 12h56.

Última atualização em 24 de março de 2026 às 21h56.

As incorporadoras brasileiras devem intensificar, nos próximos anos, a aposta em imóveis compactos — e não apenas nos grandes centros. Um levantamento da Housi, obtido com exclusividade pela EXAME, indica que studios e unidades de até 40 metros quadrados já concentram 41,1% das intenções de lançamento do setor.

O movimento acontece em paralelo a uma expansão geográfica relevante. Segundo o estudo, 56% das incorporadoras planejam avançar para novas cidades e estados até 2026, em busca de crescimento fora dos mercados tradicionais.

A combinação de unidades menores com a interiorização das operações sinaliza uma mudança estrutural no setor imobiliário brasileiro. Historicamente concentrado no Sudeste — que ainda reúne 54,8% das empresas —, o mercado começa a distribuir melhor seus investimentos pelo país.

Ao mesmo tempo, o ritmo de lançamentos segue elevado. Cerca de 93% das incorporadoras têm projetos previstos para os próximos dois anos, sendo que 75,9% pretendem colocar de um a dois empreendimentos na rua já em 2026. O levantamento ouviu 352 profissionais, incluindo 105 decisores de incorporadoras, entre sócios, CEOs e diretores.

O avanço dos compactos

A preferência pelos compactos não ocorre por acaso. Ela está diretamente ligada à mudança no perfil de demanda e ao crescimento do modelo de moradia como investimento.

Hoje, 69,2% das incorporadoras já desenvolvem produtos voltados especificamente para renda com locação. Nesse contexto, unidades menores oferecem vantagens objetivas: exigem menor ticket de entrada, têm maior liquidez e permitem operação mais eficiente.

Na prática, o imóvel deixa de ser apenas um ativo de longo prazo e passa a funcionar como produto de giro e geração de renda recorrente.

Esse movimento também altera a lógica do desenvolvimento imobiliário. Segundo Roberta Faria, sócia-fundadora da Housi, o produto físico perdeu protagonismo isolado. “O produto imobiliário passa a representar apenas metade da equação. A outra metade está na operação, na experiência e nos serviços”, afirma.

A estratégia de lançar imóveis menores também facilita a entrada em novos mercados. Com menor custo por unidade e maior velocidade de venda ou locação, os projetos se tornam mais adaptáveis a cidades fora do eixo Rio-São Paulo. A expansão territorial e a padronização dos produtos caminham juntas e ajudam a reduzir o risco em novas praças.

"Por terem menor ticket de entrada e maior eficiência de ocupação, esses ativos permitem escalar com mais agilidade, testar novas praças com risco reduzido, aumentar o valor agregado com parceiros e adaptar a oferta conforme a demanda local. Além disso, o compacto atende a um perfil crescente de consumidor que prioriza mobilidade, conveniência e serviços, o que acelera a tração em mercados ainda em desenvolvimento. No entanto, o sucesso não está apenas no tamanho do imóvel, mas na combinação entre tecnologia, experiência e gestão eficiente", explica Faria.

Os dados também indicam que a demanda por unidades compactas não é pontual. Ela reflete transformações econômicas — como renda mais pressionada, e sociais, como o aumento de domicílios unipessoais e a busca por flexibilidade

Acompanhe tudo sobre:ConstrutorasMercado imobiliário

Mais de Mercado Imobiliário

Com juros altos, construtoras trocam bancos por fundos na construção de residências

Estrangeiros estão saindo da bolsa — mas colocaram R$ 450 milhões nesse fundo imobiliário

Um apartamento, até 52 donos: multipropriedade da Hard Rock em Gramado já vendeu R$ 1 bi

Eu cuido sozinha da casa que era dos nossos pais. Posso fazer usucapião?